Desdobramento inédito em processo-crime contra uberabense preso e denunciado por tráfico de droga.
Desdobramento inédito em processo-crime contra uberabense preso e denunciado por tráfico de droga. A Justiça mandou soltar o réu e decretou a prisão do policial militar responsável pelo flagrante de janeiro deste ano. O desfecho inesperado deve-se à ausência injustificada do PM em audiências nas quais deveria ser ouvido como testemunha de acusação.
Assim decidiu o juiz da 3ª Vara Criminal de Uberaba, Daniel Botto Collaço, em relação ao PM Ricardo Delege. Já o preso, que acabou beneficiado com alvará de soltura expedido ontem, é Juliano Martins Cândido, mais conhecido como “Tuchinho”.
Conforme consta no processo, o suspeito não poderia continuar na prisão, onde estava desde 25 de janeiro, em razão do excesso de prazo para a conclusão da instrução criminal, afinal, o promotor de Justiça Laércio Conceição insistiu na audiência de ontem no depoimento do militar faltoso.
Como foi denunciado por crime de tráfico de droga, a Justiça tem a obrigação de colher os depoimentos das testemunhas de acusação. A primeira audiência com esta finalidade foi no último dia 25 de junho, quando o cabo Delege não compareceu para ser ouvido, apesar de estar devidamente requisitado por ofício enviado ao 4º BPM.
Naquela data, o promotor de Justiça do processo insistiu em seu depoimento, tendo o juiz Collaço designado nova data, justamente ontem, para oitiva do policial militar Ricardo Delege, o qual, apesar de novamente requisitado, não compareceu à audiência que estava marcada para as 17h, bem como não apresentou qualquer justificativa informando que não iria.
De acordo com o registrado na ata de audiência de ontem, o juiz decidiu por relaxar a prisão do acusado, decretando a prisão do cabo PM em razão da prática de delito de desobediência. Consta que a prisão deve ocorrer hoje, sendo encaminhado ao 5º Comando da Polícia Militar, na rua Capitão Domingos. O mandado de prisão seria encaminhado na noite de ontem ao comando da PM em Uberaba.
Quando da prisão do réu Tuchinho, ele estaria com 165 gramas de maconha divididas em 50 porções. Na época, Ricardo Delege e o também PM Ricardo Fazani Júnior chegaram até ele a partir de informações prestadas por um estudante de Medicina em Uberaba, flagrado com droga que teria comprado do mesmo.
Na noite de ontem, a reportagem do Jornal da Manhã conseguiu ouvir a versão do cabo Delege. Ele reconheceu que estava informado quanto à necessidade de comparecimento às duas audiências. Na primeira, ele acabou perdendo a audiência, explicando que acabou dormindo, por estar muito cansado, oportunidade em que acabou ficando incomunicável por ter acabado a bateria de seu celular.
Quanto ao ocorrido ontem, o policial disse que recebeu ordem superior para trabalhar na captura de dois elementos envolvidos em assalto a um taxista de Sacramento. Na tentativa de fuga para Araxá, os suspeitos teriam entrado em uma mata, quando ele poderia colaborar em razão de ser o instrutor do canil da PM em Uberaba, com 22 anos de experiência. Ainda conforme disse, os suspeitos foram presos, mas seu retorno a Uberaba só ocorreu por volta de 18h30, quando a audiência já tinha terminado. Ainda assim, o cabo diz ter ido à presença do juiz, que o advertiu quanto ao ocorrido. Por razões óbvias, a reportagem não revelou ao policial que sua prisão fora decretada pela Justiça.