DIFERENÇA SALARIAL

Juízas recebem menos que homens em 86% dos tribunais; TJMG tem maior diferença

Pesquisa analisou mais de 300 mil registros de pagamentos e aponta que juízas mineiras de primeiro grau recebem R$ 18,1 mil a menos por ano, em mediana, que homens no mesmo cargo

Publicado em 20/08/2026 às 10:18
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Uma pesquisa da organização Justa aponta que juízas e desembargadoras recebem menos que colegas homens em 86% dos Tribunais de Justiça do país, mesmo quando ocupam o mesmo cargo. O levantamento analisou mais de 300 mil registros de pagamentos de integrantes ativos da magistratura estadual entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025.

Entre as juízas de primeiro grau, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) apresentou a maior diferença de remuneração do país. Em 2025, a mediana do rendimento anual líquido das magistradas mineiras foi R$ 18.128,18 menor que a dos homens que ocupavam a mesma função.

A pesquisa considerou dados publicados nos portais de transparência de 25 dos 27 Tribunais de Justiça estaduais. Santa Catarina ficou de fora porque não permitiu a exportação estruturada dos dados, enquanto o Amapá não havia disponibilizado parte das folhas de pagamento até o encerramento do levantamento.

Os dados mostram que a desigualdade aumentou de 2024 para 2025. No primeiro ano analisado, 82% das magistradas recebiam menos que homens no mesmo cargo. Em 2025, o percentual subiu para 86%. Entre os tribunais analisados, 19 registraram maioria de juízas com remuneração inferior à dos colegas homens.

A diferença também aparece nos cargos de desembargador. Em Rondônia, foi registrada a maior disparidade média: os homens receberam cerca de R$ 56,8 mil a mais por ano que as mulheres na mesma posição.

Outro dado chama atenção. Ao longo dos 24 meses analisados, foram registrados 14 pagamentos mensais superiores a R$ 1 milhão, todos destinados a homens. Na faixa entre R$ 500 mil e R$ 1,7 milhão, foram identificados 83 pagamentos, dos quais 82% foram recebidos por magistrados homens.

Para Luciana Zaffalon, diretora-executiva da Justa, a diferença de remuneração também está relacionada à distribuição de poder dentro dos tribunais. Segundo ela, homens ocupam mais cargos de confiança e posições de cúpula, que podem resultar em pagamentos adicionais.

Mais mulheres chegam ao topo da Justiça

Apesar das diferenças apontadas pelo levantamento, a pesquisa também identificou crescimento da presença feminina nos cargos de desembargadora.

Entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025, o número de desembargadoras aumentou 14%, enquanto o crescimento entre juízas de primeiro grau foi de 5%. Entre os desembargadores homens, o aumento foi de 3%.

O avanço ocorreu durante os dois primeiros anos de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que criou listas de promoção por merecimento exclusivas para mulheres, alternadas com as listas gerais, com o objetivo de ampliar a presença feminina nos tribunais.

Mesmo com o crescimento, nenhum Tribunal de Justiça estadual havia alcançado paridade entre homens e mulheres no segundo grau até o fim de 2025. Na magistratura estadual como um todo, as mulheres representavam 32% dos integrantes, enquanto os homens correspondiam a 68%.

Atualmente, apenas quatro dos 27 Tribunais de Justiça estaduais são presididos por mulheres: Espírito Santo, Paraná, Sergipe e Tocantins.

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