Juro médio do empréstimo pessoal praticado em dezembro é o maior em nove anos. A taxa média verificada entre os principais bancos do Brasil ficou em 6,25% ao mês e o juro médio do cheque especial também subiu, conforme pesquisa divulgada ontem pela Fundação Procon. Este é o terceiro mês consecutivo de taxa superior a 6%. Em outubro, o índice foi de 6,15%. Desde março de 1999, quando alcançou 6,77%, não era registrada alta semelhante. Já a taxa média de juros cobrada no cheque especial aumentou de novembro para dezembro, passando de 9,24% para 9,33% ao mês – a maior taxa média desde junho de 2003, quando ficou em 9,43%. Para o economista Cássio Silveira, a alta nos juros era um reflexo já esperado da crise econômica mundial. O problema maior, segundo ele, está na tranquilidade do consumidor em aceitar as ofertas e propagandas do varejo, com crédito para parcelamento facilitado, apesar de taxas elevadas. “O Brasil é um dos poucos países que estão conseguindo amortecer a crise para o consumidor. Entretanto, é preciso observar o todo. Os reflexos estão se abatendo do maior para o menor. Montadoras de carros, entre outras grandes firmas, já estão demitindo e colocando o pessoal de férias. Neste momento, o comércio comemora, especialmente, a maior injeção de dinheiro na economia, devido ao 13º salário e abonos natalinos”, analisa Silveira. O susto no bolso do brasileiro deve vir com o começo do ano, quando o salário será o mesmo, enquanto os gastos com materiais escolares, impostos e itens para alimentação, saúde, moradia apresentarão reajustes, conforme a expectativa do economista. Para evitar queda na qualidade de vida em 2009 e não entrar na lista de inadimplentes, a dica, segundo Cássio, é ter cautela. “É preciso planejar com cuidado os investimentos, evitar compras de bens duráveis com parcelas a perder de vista e ter criatividade para driblar os desafios no trabalho e se sobressair como profissional, uma vez que as demissões por conta da crise devem intensificar a concorrência de mão-de-obra qualificada no mercado.” “Empréstimos pessoais só em último caso ou para quitar dívidas com taxas superiores, como cartão de crédito e cheque especial”, conclui Silveira.