Empresa alegou em sua petição que, a partir do segundo semestre de 2015, a crise econômico-financeira causou retração de investimentos no mercado imobiliário
A juíza auxiliar da Vara de Execuções Fiscais e Registros Públicos de Uberaba, Andreísa de Alvarenga Martinoli Alves, deferiu o pedido de processamento da recuperação judicial da RCA Construtora Ltda., que tem como sócios Altamir de Araújo Rôso Filho e Elcion Emerenciano de Castro. Como consequência, a juíza determinou que a RCA acrescente após seu nome empresarial a expressão em recuperação judicial. Também determinou a suspensão de todas as ações e execuções contra ela por 180 dias e da busca e apreensão de uma escavadeira hidráulica 320D. A magistrada também determinou a suspensão da publicidade dos protestos e inscrições nos órgãos de proteção ao crédito em face à empresa, seus sócios e garantidores, administradores e diretores e que ela apresente contas demonstrativas mensais durante todo o processamento da recuperação judicial, sob pena de destituição de seus administradores. E nomeou a advogada Elizete Beatriz Seixlack como administradora judicial. O valor dado à causa foi de R$5.343.798,78. No pedido de recuperação, a RCA Construtora afirmou que a partir do segundo semestre de 2015 a crise econômico-financeira causou uma importante retração de investimentos no mercado imobiliário. A situação dificultou o acesso da empresa, que já teve mais de 250 funcionários, ao crédito, o que contribuiu para o agravamento da crise. Como consequência, as empresas do setor da construção civil não tiveram outra opção a não ser a redução dos seus quadros de trabalhadores. Conforme a inicial, esse cenário impactou diretamente a saúde financeira da construtora, que possuía vários empreendimentos imobiliários previstos para 2016, para os quais fez investimentos na preparação de projetos, incorporação e contratação de pessoal especializado. No entanto, a restrição de crédito e a indefinição da política de moradia subsidiada pela Caixa Econômica Federal provocou a postergação nos lançamentos dos empreendimentos, causando um descontrole de fluxo de caixa da RCA Construtora. Em razão dos compromissos assumidos, a empresa foi obrigada a buscar consideráveis aportes bancários para suprir prejuízos aumentados pela queda de demanda. Hoje, com mais de 20 anos de funcionamento, a RCA permanece com apenas 40 funcionários para continuar atuando no mercado da construção civil, em especial nas áreas de edificações, incorporações, saneamento básico, locação de máquinas e veículos. A reportagem do Jornal da Manhã tentou contato com Altamir Rôso, um dos sócios da RCA, mas ele não atendeu às ligações.