ÁGUAS DO PACÍFICO

La Niña perde força e El Niño entra no radar com risco de extremos

Modelos indicam chance crescente de El Niño no outono/inverno e risco maior de extremos no Brasil

O Tempo
Publicado em 29/01/2026 às 10:35
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O episódio de La Niña em 2025/2026 chegou ao fim após cerca de quatro a cinco meses de resfriamento nas águas superficiais do Pacífico Equatorial, segundo avaliação da MetSul Meteorologia. A tendência agora é de um curto período de neutralidade antes de uma possível transição para El Niño ao longo dos próximos meses.

O principal “termômetro” usado para classificar El Niño/La Niña é a região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial centro-leste. A MetSul destaca que foram 14 semanas seguidas com anomalias em patamar de La Niña (temperatura do mar ao menos 0,5°C abaixo da média), mas o evento foi fraco: o pico de resfriamento ficou em torno de -0,8°C. No boletim mais recente citado pela MetSul, a anomalia já estava em -0,3°C, dentro da faixa considerada neutra.

Na prática, isso indica que o oceano está perdendo o “sinal” típico de La Niña. E mesmo que uma semana neutra, isoladamente, não seja suficiente para decretar o fim do fenômeno, o argumento é que há águas mais quentes abaixo da superfície emergindo e reduzindo a chance de um novo resfriamento sustentado.

O fim da La Niña muda a chuva imediatamente?

Não. A atmosfera não responde como um interruptor. Mesmo com a neutralidade se instalando no oceano, os padrões de chuva e temperatura podem demorar a se reorganizar, mantendo por um tempo comportamentos parecidos com os meses anteriores — inclusive com irregularidade e episódios extremos.

Ou seja: o “fim da La Niña” não garante, por si só, uma normalização rápida do regime de precipitação. Para acompanhar os próximos dias na sua região, veja a previsão do tempo e o painel de alertas meteorológicos.

El Niño a caminho

Depois de La Niña, o passo seguinte é necessariamente a neutralidade — não existe “salto direto” de La Niña para El Niño sem essa fase intermediária. Um ponto importante: neutralidade não é sinônimo de normalidade. Mesmo com o Pacífico neutro, ainda podem ocorrer extremos típicos tanto de El Niño quanto de La Niña.

Segundo a análise apresentada pela MetSul, diversos modelos climáticos e oceânicos apontam para aquecimento do Pacífico mais adiante, com possibilidade de:

El Niño costeiro no fim do verão/início do outono (aquecimento mais forte junto ao Peru e ao Equador);
El Niño “clássico” a partir do outono/inverno, com aquecimento mais abrangente na faixa equatorial.

As projeções probabilísticas citadas (da Universidade de Columbia/IRI) indicam que a neutralidade ainda domina no curto prazo, mas com chance crescente de El Niño à medida que o ano avança — especialmente após a chamada “barreira de previsibilidade” (período em que os modelos têm menor confiabilidade, geralmente entre março e junho).

O que é El Niño e por que isso importa para o Brasil

El Niño ocorre quando o Pacífico Equatorial fica mais quente que a média e os ventos alísios tendem a enfraquecer. La Niña é o oposto: águas mais frias e ventos mais fortes. Essas mudanças mexem com a circulação atmosférica e podem alterar padrões de chuva e temperatura em diversas partes do planeta — inclusive no Brasil.

Em termos gerais, El Niño costuma aumentar o risco de chuva acima da média no Sul e pode favorecer estiagens no Nordeste em determinados períodos, mas os efeitos variam conforme a estação e a atuação de outros sistemas meteorológicos. No Sudeste (incluindo Minas Gerais e São Paulo), o mais importante é acompanhar o risco de oscilações e extremos, porque a neutralidade e a transição de fase podem aumentar a volatilidade do tempo.

Para não ser pego de surpresa, acompanhe a previsão do tempo diariamente e fique atento aos alertas, principalmente em períodos de pancadas fortes, temporais localizados e ondas de calor.

Fonte: O Tempo.

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