Presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB Uberaba analisa permanência das desigualdades raciais
O 13 de Maio, data que marca a abolição formal da escravidão no Brasil, deve ser compreendido como um momento de reflexão sobre as desigualdades raciais ainda presentes na sociedade. A avaliação é da advogada Lorrayne Francisca, presidente da Comissão da Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Uberaba, em entrevista ao JM News.
Segundo a jurista, a assinatura da Lei Áurea não garantiu condições reais de liberdade para a população negra, já que não foi acompanhada de políticas de inclusão e reparação. “Se você liberta sem dar condições de sobrevivência, você deixa a pessoa na escravidão do mesmo jeito”, afirma.
Brancos podem usar turbante e tranças? Advogada fala sobre apropriação cultural e racismo estrutural
Durante a entrevista, Lorrayne destacou que o significado do 13 de Maio hoje está mais ligado à resistência da população negra do que à celebração. Para ela, apesar dos avanços sociais, ainda há um sistema que limita oportunidades e perpetua desigualdades. “É mostrar que ainda estamos aqui, apesar de muito esforço para que não estivéssemos. O sistema foi moldado para que a gente não conseguisse chegar onde chegou, mas seguimos avançando”, disse.
A advogada também abordou o racismo estrutural e suas consequências na formação da autoestima da população negra. Segundo ela, muitos dos padrões sociais são construídos desde a infância, influenciando percepções sobre beleza, comportamento e pertencimento. “O que a gente acha bonito ou feio foi ensinado. Quando uma criança cresce ouvindo que cabelo crespo é feio ou que o preto é associado ao negativo, isso vai sendo construído na mente dela”, finaliza.