Durante show na ilha de Fernando de Noronha, advogada alega ter sido vítima de racismo por parte da cantora Luisa Sonza. Fato aconteceu em 22 de setembro de 2018, mas só ganhou destaque em 2020. Vítima pede R$10 mil por danos morais.

Segundo Isabel Macedo de Jesus, ela estava comemorando seu aniversário em uma pousada, na ilha de Fernando de Noronha. No local, Luísa Sonza se apresentava.
A advogada estava numa mesa próxima ao palco e decidiu ir ao banheiro. Ao passar pela cantora, recebeu um tapa no braço e um pedido para entregar a ela um copo com água. Isabel, então, pediu que a cantora repetisse o que havia dito e, segundo consta no processo, recebeu a mesma resposta: que levasse um copo de água à cantora, pois ela estava com sede.
"Ao voltar do banheiro, fiquei próxima do palco para ouvir a música. Era meu aniversário, e eu tinha viajado sozinha. Estava dançando, me divertindo e aproveitando a festa. Por um acaso, parei atrás da Luisa. No evento tinham vários famosos, mas nem sabia quem era ela. Nunca tinha ouvido falar. Foi então que ela virou, bateu no meu ombro e disse "Pega um copo d'água pra mim?'. Eu respondi que não tinha entendido, ela repetiu a frase e completou 'Você não trabalha aqui?'".
Em um longo depoimento dado ao site “Notícia Preta”, ela diz ter questionado então o motivo de a cantora supor que ela trabalhasse servindo os convidados. "Não é isso que você está pensando", teria dito Luisa. "Na hora eu disse que ela nunca sentiria o que eu estava sentindo, pois nunca seria confundida com as pessoas que servem nas festas que ela frequenta", lembra a advogada.
"Não é demérito algum ser empregada, eu mesma já fui doméstica, a questão é por que a branquitude sempre nos enxerga nessa posição de serviçal? Por que nos entendem como pessoas que só podem servi-los mas nunca como pessoas que podem consumir, viver e viajar como eles?", questionou Isabel.
Ela decidiu então registrar o caso na delegacia, onde diz ter sofrido preconceito mais uma vez: "A inspetora, loira, começou a dizer que eu não era negra, que era morena, que não era bem assim. Eu querendo registrar como racismo e ela queria dizer que era injúria racial. Consegui fazer o boletim de ocorrência como racismo e anexei prints que fiz do story de uma artista, onde eu aparecia atrás da Sonza", conta.
Ao fim da reportagem, Isabel afirma que não tornou o caso público porque seu objetivo não é conquistar visibilidade, e sim, justiça: "Eu acionei o judiciário para que ela pague pelo que fez e entenda que isso não pode se repetir. A minha intenção com a ação é que isso tenha um caráter pedagógico, embora não tenhamos obrigação alguma de ensinar nada ao branco. Minha intenção com essa ação é que ela aprenda", afirmou.
Na ocasião em que o processo veio à tona, Luísa Sonza negou as acusações, classificadas por ela como "mentirosas" e "absurdas. "Gente, tudo isso é mentira! Eu jamais teria esse tipo de atitude. Vocês me conhecem bem, sabem qual é meu caráter, minha índole. Eu jamais ofenderia outra pessoa por conta da cor da sua pele. Jamais! Essa acusação é absurda", disse.
A audiência sobre o caso estava marcada para ocorrer de forma on-line na última quarta-feira (14), mas o link vazou e ela foi adiada. Acontecerá de forma presencial, em data e local que não foram divulgados.