Depois da reunião com representantes de seis centrais sindicais, o presidente Lula prometeu aos sindicalistas manter o reajuste do salário mínimo em 5,7%.
Depois da reunião com representantes de seis centrais sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu aos sindicalistas manter o reajuste do salário mínimo em 5,7%, que passaria a valer R$ 465 a partir de 1º de fevereiro. Segundo os sindicalistas, o presidente também decidiu convidar para uma reunião, que deve acontecer ainda hoje, donos de bancos privados e representantes dos bancos públicos. De acordo com os líderes sindicais, Lula vai pedir aos banqueiros a redução do spread bancário (diferença entre o percentual que o banco paga ao cliente investidor e o que o cliente paga pelo empréstimo) e, ainda, tentar discutir alternativas para a redução dos juros cobrados nos empréstimos. Os líderes sindicais defenderam junto ao presidente a redução imediata da taxa básica de juros em até 2,5%. Os sindicalistas reclamaram com o presidente que o spread do Banco do Brasil é o mais alto do sistema financeiro nacional. Na última semana de dezembro, por exemplo, o spread praticado pelo banco público foi de 25,9%. Houve bancos privados que mantiveram essa diferença em 15%. “Mostramos esse quadro ao presidente e ele se mostrou indignado”, destacou Antônio Neto, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil. De acordo com os sindicalistas, Lula se mostrou surpreso com os números do desemprego no país, registrados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados e divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho. O Caged registrou o fechamento de 654 mil postos de trabalho, mais que o dobro da média para o mês de dezembro, de 300 mil demissões. “O presidente Lula não esperava um número tão alto. Ele se mostrou muito assustado”, disse José Gabriel dos Santos, diretor da área industrial da Nova Central de Trabalhadores do Brasil (NCTB). O presidente Lula, de acordo com os líderes sindicais, disse que deve anunciar, nos próximos dias, um novo pacote de medidas de isenção fiscal para o setor de construção civil, um dos que mais empregam no país. Dentre as reivindicações apresentadas pelos sindicalistas está a de que o governo exija um compromisso de manutenção dos empregos por parte das empresas que recebem financiamento público e benefícios fiscais. “O ministro Mantega fez esmola com o chapéu dos outros. Deu a desoneração fiscal para as montadoras e, no outro dia, elas começaram a demitir”, disse Paulinho da Força.