INOVAÇÃO

Luva criada por estudantes de Araxá transforma sinais de Libras em texto e áudio

Protótipo desenvolvido no Cefet-MG alcançou 92% de precisão nos primeiros testes e busca facilitar a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes

Publicado em 28/09/2026 às 10:04
Compartilhar

Uma luva equipada com sensores e capaz de reconhecer sinais da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e transformá-los em texto ou áudio está sendo desenvolvida por estudantes do ensino técnico do Cefet-MG, em Araxá. Nos primeiros testes, o protótipo alcançou índice de 92% de precisão no reconhecimento de sinais realizados por diferentes pessoas.

(Foto/Divulgação Cefet)

(Foto/Divulgação Cefet)

Quatro alunos participam diretamente do projeto, coordenado pelo professor Leandro Resende Mattioli. A tecnologia combina sensores instalados na luva com uma câmera infravermelha para captar a posição e os movimentos das mãos.

As informações são processadas por um programa de computador, que identifica os sinais reconhecidos e apresenta o conteúdo em formato de texto ou áudio. A proposta é criar uma ferramenta capaz de reduzir barreiras de comunicação entre pessoas surdas que utilizam Libras e ouvintes que não conhecem a língua.

O trabalho atual é resultado de uma pesquisa iniciada no ano passado. Em uma primeira etapa, a equipe desenvolveu um sensor capaz de estimar o posicionamento das mãos durante os gestos. O equipamento foi posteriormente aprimorado e incorporado à luva para aumentar a precisão da captura.

Apesar do resultado inicial, a tecnologia ainda tem limitações. O estudante Gregory Matsushita, de 17 anos, explicou ao g1 que o protótipo consegue interpretar sinais estáticos, mas ainda apresenta dificuldade com movimentos contínuos. Algumas letras do alfabeto manual, por exemplo, dependem de movimento para serem corretamente identificadas.

A equipe trabalha agora para ampliar a capacidade do sistema e reconhecer também esses sinais. A expectativa é avançar no desenvolvimento do protótipo nos próximos meses, mas ainda não existe previsão de disponibilização comercial.

Outro integrante da equipe, Matheus Milagres, de 16 anos, destacou que o objetivo é tornar mais simples a comunicação cotidiana entre surdos e ouvintes, permitindo que uma pessoa se expresse em Libras e tenha o conteúdo convertido para quem não domina a língua.

Acessibilidade também é desafio em Uberaba

O modelo previa atendimento por intérpretes em chamadas de vídeo, permitindo a tradução simultânea durante o contato com repartições públicas. À época do lançamento, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social estimava que Uberaba tivesse cerca de 5 mil pessoas surdas.

A própria discussão sobre o projeto local já apontava a tecnologia como uma das possibilidades para ampliar a autonomia desse público. Entre as alternativas cogitadas estava o desenvolvimento futuro de uma ferramenta própria para facilitar a comunicação também fora da estrutura municipal.

Assuntos Relacionados
Compartilhar

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por