
O procedimento que resultou na morte de Henrique Chagas foi feito pela esteticista Natalia Becker (Foto/Redes Sociais)
A morte de Henrique Chagas, de 30 anos, durante um procedimento estético em Pirassununga (SP), gerou uma batalha judicial envolvendo sua família e a empresária Natalia Becker, dona do estúdio onde o fato ocorreu. A família de Henrique exige uma indenização milionária por danos morais, além de compensações por danos materiais, alegando que a mãe do jovem, Edna Silva, enfrenta dificuldades financeiras desde o falecimento do filho, que era seu único provedor.
Henrique era proprietário de um pet shop na cidade e lucrava cerca de R$ 15 mil por mês. A defesa da família afirma que Edna está em situação de vulnerabilidade extrema e pleiteia R$ 1,4 milhão de indenização, além de R$ 15.440 pelos custos do velório e do enterro.
Em setembro, o juiz Edson José de Araujo Junior determinou que Natalia Becker pague uma pensão provisória de dois salários mínimos (cerca de R$ 2,8 mil) a Edna enquanto o caso não é concluído. No entanto, segundo o advogado da família, Celso Augusto Hentscholek Valente, a empresária não cumpriu a decisão judicial e nenhuma parcela foi paga até o momento.
Procedimento fatal
Henrique morreu em 3 de junho após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante a aplicação de um peeling de fenol no Studio Natalia Becker. O procedimento, que custou R$ 5 mil, é altamente invasivo e, segundo especialistas, deve ser realizado exclusivamente em centros cirúrgicos por médicos dermatologistas habilitados.
De acordo com o Conselho Federal de Medicina, o peeling de fenol pode causar arritmias cardíacas devido à dor intensa e exige monitoramento constante. A Sociedade Brasileira de Dermatologia reforça que a intervenção requer anestesia e um ambiente controlado, pois as reações adversas são comuns.
Funcionários do estúdio afirmaram que o procedimento era realizado frequentemente no local, mesmo sem infraestrutura ou profissionais adequados. Natalia admitiu à polícia que fez apenas um curso online ministrado por uma farmacêutica do Paraná e não possui registro profissional como esteticista, conforme confirmado pela Associação Nacional dos Esteticistas e Cosmetólogos.
Processo criminal
Além da ação civil, Natalia responde criminalmente por homicídio doloso. Em setembro, a Justiça considerou que ela assumiu o risco ao realizar o procedimento em condições inadequadas. Embora responda em liberdade, Natalia está proibida de atuar como esteticista e frequentar o estúdio, que já foi fechado pela Prefeitura de São Paulo por funcionar irregularmente.
Em nota, a defesa de Natalia, representada pela advogada Tatiane Fortes, afirmou que "toda e qualquer responsabilidade depende de decisão transitada em julgado" e que não há provas concretas que atribuam culpa definitiva à empresária.
O caso gerou debates sobre a regulamentação da estética no Brasil e os riscos de procedimentos invasivos realizados por profissionais sem qualificação. Especialistas alertam que intervenções como o peeling de fenol devem ser feitas com extremo rigor técnico e ético, sempre sob supervisão médica.