Mãe e filha serão julgadas hoje, às 9h30, no Tribunal do Júri, no Fórum Melo Viana, em Uberaba, acusadas de matar criança recém-nascida cujo corpo nunca foi encontrado. Será o segundo julgamento do mês e também da 2ª Vara Criminal da Comarca de Uberaba.
Julie Alves Araújo Silva, 26 anos, e sua mãe, Elza Alves da Silva, 48, são acusadas de, após tentativa de aborto, terem matado bebê que teria nascido vivo. O crime chocou a cidade há quatro anos.
Segundo a denúncia que deu início ao processo, no dia 4 de julho de 2006, Julie e sua mãe tiraram a vida de um recém-nascido, afogando o bebê no tanque da casa que ambas moravam, na rua Marechal Deodoro, bairro São Benedito.
Consta no processo que no dia dos fatos, Julie teria tomado medicamento abortivo (Citotec), adquirido por sua mãe. Algum tempo depois, a moça teria abortado o bebê, que chegou a chorar, conforme relato de testemunha, que mudou sua versão ao depor perante o juiz.
Pesou na sentença do juiz Habib Felippe Jabour, determinando a realização de júri popular, a conclusão de que Julie estaria grávida quando dos fatos e que pretendia abortar. Três testemunhas ouvidas nos autos garantem que a ré estaria grávida na época, enquanto outras sete negam tal situação, o que também deve ser avaliado durante o julgamento popular.
Atuando na defesa de Julie e Elza Silva, o advogado Leuces Teixeira deve sustentar tese do crime impossível, enfatizando que Julie sequer estava grávida quando dos fatos.
Já o promotor de Justiça Eduardo Pimentel deve insistir na necessidade de condenação de ambas, como ele vem sustentando desde a denúncia que deu início ao processo.
O corpo do recém-nascido nunca foi encontrado pela polícia. Inicialmente, uma testemunha informou que o corpo foi enterrado no quintal da casa das rés. Entretanto, nada foi encontrado, embora tenha sido constatado que a terra foi remexida no imóvel. Posteriormente, concluiu-se que os restos mortais foram coletados pelo caminhão de lixo, inclusive com busca no aterro sanitário, sem que nada fosse encontrado.