
(Foto/Divulgação G1)
O Papa Leão XIV afirmou neste domingo (29) que Deus não acolhe as orações de líderes que promovem guerras, declarando que esses governantes têm “as mãos cheias de sangue”. A fala ocorreu durante a oração do Angelus, na Praça de São Pedro, diante de milhares de fiéis, em meio ao avanço do conflito envolvendo o Irã, que já entrou em seu segundo mês.
Na homilia, o pontífice classificou a guerra como “atroz” e reforçou que a figura de Jesus não pode ser utilizada para legitimar ações violentas. Segundo ele, Deus rejeita preces feitas por aqueles que incentivam confrontos armados, citando um trecho bíblico para sustentar a crítica. “Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue”, destacou.
Embora não tenha citado diretamente nenhum líder mundial, o papa tem endurecido o tom nas últimas semanas em relação à escalada do conflito no Oriente Médio. Ele voltou a defender um cessar-fogo imediato e criticou o uso de ataques aéreos, classificando-os como indiscriminados e incompatíveis com os princípios cristãos.
O posicionamento ocorre em um contexto de tensões crescentes, inclusive após autoridades dos Estados Unidos utilizarem referências religiosas para justificar ações militares recentes ao lado de Israel contra o Irã. Sem mencionar esses episódios de forma direta, Leão XIV ressaltou que a fé não pode ser instrumentalizada para sustentar guerras ou violência.
Ao final da celebração, o pontífice também demonstrou preocupação com os impactos humanitários do conflito, especialmente sobre os cristãos que vivem no Oriente Médio. Segundo ele, muitas comunidades enfrentam dificuldades para manter práticas religiosas básicas e podem até ser impedidas de celebrar a Páscoa devido à situação.
O papa concluiu reforçando a imagem de Jesus como símbolo de paz, lembrando que, mesmo diante da violência, ele não reagiu com armas. Para Leão XIV, esse exemplo deve orientar líderes e fiéis na busca por soluções pacíficas e no rejeição de qualquer forma de guerra.