
(Foto/Reprodução REUTERS)
A Ucrânia registrou o maior ataque aéreo noturno deste ano na madrugada deste sábado (24), poucas horas após a realização de uma reunião trilateral entre representantes da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos para discutir o fim da guerra. Segundo autoridades ucranianas, a ofensiva russa deixou pelo menos uma pessoa morta e 23 feridas nas duas maiores cidades do país.
De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, ataques com mísseis e drones atingiram a capital Kiev, onde sistemas de defesa aérea foram acionados. O prefeito da cidade, Vitali Klitschko, informou que uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas. A queda de destroços provocou incêndios, danos a prédios residenciais e deixou cerca de seis mil apartamentos sem aquecimento, além de interrupções no abastecimento de água.
Na manhã deste sábado, a temperatura em Kiev era de -12 °C, o que agravou a situação da população afetada pelos cortes de energia.
Kharkiv, segunda maior cidade da Ucrânia, também foi alvo dos bombardeios. Segundo o prefeito Ihor Terekhov, uma maternidade e um dormitório destinado a deslocados internos foram atingidos. Ao menos 19 pessoas ficaram feridas, entre elas uma criança.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, informou que a Rússia lançou mais de 370 drones e 21 mísseis durante a ofensiva noturna, atingindo ainda as regiões de Sumy e Chernihiv. Segundo ele, os ataques tiveram como foco principal o setor energético, considerado estratégico durante o inverno.
Os bombardeios ocorreram logo após o encerramento de dois dias de negociações em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. As delegações da Ucrânia, da Rússia e dos Estados Unidos participaram do primeiro encontro trilateral conhecido desde o início do conflito. Até o momento, não há confirmação de avanços concretos nas tratativas.
De acordo com agências internacionais, o principal impasse nas negociações continua sendo a questão territorial. A Rússia defende que a Ucrânia se retire da região de Donbas, no leste do país, exigência que segue sendo rejeitada pelo governo ucraniano.
Quase quatro anos após o início da invasão em larga escala, a Rússia ocupa cerca de 20% do território reconhecido internacionalmente como parte da Ucrânia, incluindo áreas das regiões de Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia.