Agência britânica alerta sobre riscos graves após identificar 19 mortes entre pacientes que usam medicamentos para obesidade e diabetes

Até o momento, as patentes de Ozempic, Wegovy e Mounjaro não caíram; portanto, não há versão genérica, “similar”, manipulada ou legalmente paralela dessas medicações (Foto/Ana Maria Reime)
A MHRA (agência reguladora de medicamentos do Reino Unido) emitiu alerta sobre riscos de pancreatite grave e mortes relacionadas aos medicamentos para obesidade e diabetes "Wegovy" e "Mounjaro". O comunicado foi divulgado na quinta-feira (29/1) após a identificação de casos raros, porém severos, incluindo episódios fatais associados a esses medicamentos que atuam nos hormônios GLP-1 e GIP.
A decisão da agência britânica de reforçar o alerta ocorreu após análise de aproximadamente 1.300 notificações de pancreatite associadas a esses medicamentos, recebidas entre 2007 e outubro de 2025.
Entre os casos reportados, a MHRA identificou 19 mortes e 24 ocorrências de pancreatite necrosante (condição em que o tecido do pâncreas sofre necrose). Esses incidentes foram registrados no período em que cerca de 25 milhões de embalagens desses medicamentos foram dispensadas no Reino Unido nos últimos cinco anos.
O alerta abrange tanto o "Wegovy", produzido pela Novo Nordisk, que mimetiza o hormônio intestinal GLP-1, quanto o "Mounjaro", da Eli Lilly, que imita o hormônio GIP. Ambos os medicamentos já haviam recebido alertas semelhantes nos Estados Unidos.
O que diz as fabricantes:
A Lilly informou que a inflamação do pâncreas pode afetar até 1 em cada 100 pessoas que utilizam o "Mounjaro". A empresa não detalhou o perfil dos pacientes que sofreram as complicações mais graves nem possíveis fatores de risco específicos que possam ter contribuído para os casos fatais.
A MHRA orientou que pessoas em tratamento com esses medicamentos procurem atendimento médico imediato caso apresentem dor abdominal intensa e persistente, possivelmente irradiando para as costas, acompanhada ou não de náuseas e vômitos. A agência também recomendou que médicos questionem pacientes com esses sintomas sobre o uso desses medicamentos.
A Novo afirmou que "os pacientes só devem usar esses medicamentos sob a supervisão de um profissional de saúde, que possa orientá-los sobre os efeitos colaterais", acrescentando que "o perfil de benefício-risco dos medicamentos à base de GLP-1 permanece positivo".
Por sua vez, a Lilly declarou que "leva a sério os relatos relacionados à segurança dos pacientes" e que "trabalhará com os prescritores para garantir que eles disponham de informações de segurança adequadas". A empresa também recomendou que pacientes com histórico de pancreatite conversem com seus médicos antes de usar o "Mounjaro".
Fonte: O Tempo