AUTORIDADE FORJADA

Marido de delegada preso em viatura fingia ser policial e tem histórico de agiotagem e estelionato

Ele ainda é apontado como autor de ameaças e chegou a dizer que a vida de uma vítima valia "menos que a de um animal"

Lucas Gomes/O Tempo
Publicado em 11/03/2026 às 14:12
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Imagem ilustrativa de viatura da Polícia Civil. (Foto/Brandon Santos)

advogado que foi preso usando uma viatura descaracterizada da Polícia Civil, e que é marido de uma delegada de São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tem uma série de registros policiais desde 2019. Ele é apontado como autor de diversos crimes como ameaças, agiotagem, estelionato e intimidação de vítimas.

Segundo apurou a reportagem de O TEMPO, um dos registros aponta que o advogado “costumava se apresentar como policial civil durante cobranças e desacertos comerciais”, exibindo um distintivo para reforçar a intimidação. Consultas formais, no entanto, indicaram que ele nunca integrou os quadros da segurança pública.

Conforme os registros, a falsa identidade era utilizada para pressionar pessoas envolvidas em negociações financeiras. Vítimas relataram que o investigado alegava ter ligação com a polícia para garantir o pagamento de dívidas ou resolver conflitos comerciais, criando um ambiente de medo durante as cobranças.

As denúncias também indicam que ele mantinha uma empresa de “fomento mercantil” apontada em boletins de ocorrência como fachada para atividades de agiotagem. De acordo com relatos, o investigado realizava troca de cheques com cobrança de juros que chegavam a 7% ao mês. Em um dos casos mencionados nas ocorrências, o volume de transações teria alcançado cerca de R$ 400 mil.

Ameaças sob violência

Quando havia atraso nos pagamentos ou sustação de cheques, as cobranças eram acompanhadas de ameaças. Em diferentes registros, vítimas afirmaram ter sido intimidadas com violência física, exibição de arma de fogo e ameaças contra familiares. Há relatos de episódios em que o investigado teria ido a estabelecimentos comerciais armado para exigir pagamento de valores. Em outro caso, um idoso de 73 anos teria sido ameaçado de morte em razão de uma dívida atribuída a um familiar.

Também foram registradas ameaças envolvendo filhos de vítimas, com citação da possibilidade de descobrir onde as crianças estudavam. Em outro episódio relatado em ocorrência policial, o investigado teria afirmado que poderia retornar com outras pessoas e retirar mercadorias à força de um estabelecimento comercial. Ele também aparece como autor de ameaças de invadir uma loja com amigos armados e de que a vida da vítima "valia menos que a de um animal".

Além das acusações relacionadas à cobrança de dívidas, o investigado também foi denunciado por suspeita de estelionato no setor imobiliário. Em um dos casos registrados, em fevereiro deste ano, ele teria negociado a venda de uma casa em um condomínio em Lagoa Santa por R$ 800 mil. A compradora pagou R$ 50 mil como sinal, mas posteriormente descobriu que o imóvel estava penhorado, o que impediria a transferência. Ao tentar desistir do negócio e recuperar o valor pago, a vítima relatou ter sido pressionada para depositar o restante do dinheiro diretamente na conta do vendedor, fora do modelo de financiamento previsto no contrato.Outra prática relatada por vítimas foi a retenção de cheques e documentos mesmo após a quitação de dívidas. Segundo os registros, o investigado teria se recusado a devolver os títulos ou fornecer declaração de quitação, mantendo os documentos como forma de pressão.

Dívida com a União

O histórico de ocorrências também inclui pendências financeiras junto ao governo federal. De acordo com edital da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFZ) publicado em março de 2024, foi aberto um procedimento administrativo para reconhecimento de responsabilidade por débitos inscritos em dívida ativa relacionados à empresa citada nas denúncias. Segundo o documento, a companhia, que seria usada para agiotagem, teria sido extinta de forma irregular, o que levou a PGFN a buscar a responsabilização pessoal do empresário pelos valores devidos.

Procurada sobre o histórico do advogado, a Polícia Civil optou por não se manifestar, e disse que "outras informações serão repassadas em momento oportuno".

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