As aulas à distância tiveram um salto no número de matrículas. O crescimento deste formato já ocorria, inclusive, antes mesmo da pandemia. Dados divulgados, nesta sexta-feira (23), pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) sobre o Censo de Educação Superior traçam um panorama de 2009 a 2019. O número de novos alunos em cursos superiores à distância aumentou 4,7 vezes - saltou de cerca de 330 mil estudantes para mais de 1 milhão e meio. Ou seja, um crescimento de 378,9%.Enquanto isso, o índice de ingressantes em graduações presenciais foi ampliado em escala menor: 17,8%.
Em 2009, do total de novos estudantes no ensino superior, apenas 16,1% eram de modalidades Educação a Distância (EAD). Dez anos depois,eles já representam 43,8% dos ingressantes.
Carlos Moreno, diretor de estatísticas educacionais do Inep, destacou que o crescimento da educação remota ocorre principalmente nas instituições particulares. "Na rede privada, pela primeira vez, o número de ingressos [de alunos] em EAD superou o de ingressos em [graduações] presenciais", disse, ao apresentar os dados.
"Essa é uma tendência no Brasil: a ampliação dos cursos à distância", afirmou Moreno.
No Brasil, em 2019, as instituições de ensino particulares concentravam 88,4% dos cursos de graduação e 75,8% dos alunos do ensino superior. Nos últimos 10 anos, a rede privada cresceu 87,1%. Já a pública, 32,4%.
O Censo de Educação Superior mostra qual o perfil dos professores que lecionam em cada tipo de instituição. Nas públicas, a maior parte tem doutorado e trabalha em regime de dedicação integral. Na rede privada, o mais comum é que sejam mestres, em contrato por tempo parcial (ou seja, podem dar aula em mais de uma faculdade).