Por força de medida provisória publicada em dezembro, o preço dos medicamentos não dependerá dos índices máximos de reajuste
A partir de abril passa a valer nova tabela de preços de medicamentos. Medida Provisória publicada em dezembro do ano passado pelo presidente Michel Temer permite aumentar ou reduzir os preços dos medicamentos “excepcionalmente” e não com base nos índices máximos de reajuste definido pelo governo para estes produtos.
Para a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), a estimativa de aumento é de 4,76%, sendo o mesmo número do indicador oficial da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O aumento não se dá por um índice fixo, mas variando por produto.
Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Continuada (IFEPEC), o preço influencia diretamente a compra. Os resultados revelam que 45% dos consumidores trocam os produtos que procuravam por genéricos ou similares de menor preço; a quase totalidade desses clientes buscava economia. Ainda de acordo com o levantamento, 72% dos entrevistados que foram às farmácias adquiriram os medicamentos, contudo, apenas 24% compraram exatamente o que foram comprar, 31% modificaram parte da compra e 45% trocaram os medicamentos por vontade própria ou por indicação dos farmacêuticos.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Hospitais e Casas de Saúde (Sindisaúde), Juny Júnior Guimarães, o aumento dos medicamentos só onera ainda mais o orçamento do cidadão. “A compra do medicamento fica em média mensal com 20% a 25% da renda do trabalhador. Por ano, essa margem e receita chega a 60% do salário. Tem medicamento que é de controle especial e isso torna pior ainda a situação da pessoa. Os sindicatos não conseguem interferir nas tratativas fechadas entre as empresas multinacionais de medicamentos e a Agência Nacional de Saúde (ANS). E vale ressaltar ainda que este aumento anunciado será bem maior quando chegar ao consumidor final, pois há a inclusão do empresário dos encargos tributários, que com certeza reflete em um aumento ainda maior”, explica Juny.