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Menopausa chega ao ambiente de trabalho e expõe impacto de sintomas na rotina profissional

Publicado em 18/08/2026 às 20:07
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Ginecologista Roberta Brando, que atua com climatério, menopausa e terapia hormonal feminina



Ginecologista Roberta Brando, que atua com climatério, menopausa e terapia hormonal feminina ()

Sintomas da menopausa, como alterações do sono, ondas de calor, dificuldade de concentração e mudanças de humor, também podem afetar a rotina profissional e passaram a chamar atenção para a necessidade de discutir o climatério no ambiente de trabalho. O tema ganha relevância diante do crescimento da participação de mulheres com mais de 40 anos no mercado.

Dados da Previdência Social, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), mostram que o número de mulheres ocupadas de 50 a 59 anos passou de 4,91 milhões em 2023 para 5,16 milhões em 2024, aumento de aproximadamente 5%. Entre as mulheres de 40 a 49 anos, o contingente subiu de 7,56 milhões para 7,83 milhões no mesmo período.

A presença de trabalhadores mais velhos também cresceu no mercado brasileiro. Entre 2012 e 2024, a participação conjunta das pessoas de 50 a 59 anos e dos trabalhadores com 60 anos ou mais na população ocupada passou de 19,1% para 24,3%. No mesmo período, a participação dos trabalhadores de 30 a 49 anos caiu para 49,2% em 2024.

Entre o segundo trimestre de 2016 e o segundo trimestre de 2025, o número de mulheres ocupadas passou de 37,9 milhões para 44,6 milhões, acréscimo de 6,7 milhões de trabalhadoras.

Para a ginecologista Roberta Brando, que atua com climatério, menopausa e terapia hormonal feminina, a discussão chega ao ambiente profissional porque muitas mulheres atravessam essa fase enquanto estão em plena atividade. “A menopausa está chegando ao ambiente de trabalho porque milhões de mulheres estão vivendo essa fase justamente quando estão no auge da vida profissional. São profissionais experientes, produtivas e muitas vezes em posições de liderança, mas que podem estar enfrentando sintomas sem encontrar espaço para falar sobre isso”, afirma.

Estudos científicos apontam que sintomas do climatério podem interferir no sono, na concentração, na memória, no humor e na disposição. Uma pesquisa internacional que incluiu mulheres brasileiras identificou comprometimento da produtividade e das atividades diárias entre aquelas com sintomas vasomotores moderados ou graves.

Uma diretriz brasileira sobre climatério e menopausa também cita estudo segundo o qual 65% das mulheres avaliadas afirmaram que os sintomas afetam a capacidade de trabalhar. Entre elas, 35% disseram que a menopausa influenciou decisões relacionadas à progressão da carreira, enquanto 18% relataram faltas ocasionais. Outros impactos apontados foram redução da carga horária, mudança de função e saída do mercado de trabalho.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) também considera o tema um desafio econômico. Estimativas reunidas pela entidade apontam que 657 milhões de mulheres em idade de menopausa estão trabalhando no mundo, enquanto os sintomas associados à fase podem contribuir para absenteísmo, presenteísmo e saída antecipada do mercado.

Segundo Roberta, o impacto não deve ser associado à perda de capacidade profissional. “Não significa que a menopausa torne uma mulher menos capaz. O problema é exigir produtividade enquanto ignoramos sintomas que podem comprometer sono, cognição e bem-estar. Quando a mulher não consegue falar sobre o que está acontecendo, ela tende a enfrentar a situação sozinha”, explica.

A médica defende que o assunto seja incluído nas discussões sobre saúde ocupacional. Para ela, medidas como flexibilidade de horários quando necessária, acesso à informação, orientação médica, preparação de gestores e programas de saúde corporativa podem contribuir para que profissionais experientes permaneçam no mercado.

“A mulher não deixa de ser competente quando entra na menopausa. O que não faz sentido é uma empresa investir durante décadas na formação de uma profissional experiente e depois ignorar uma fase da vida que pode ser adequadamente reconhecida e cuidada”, acrescenta.

Roberta também afirma que a abordagem não deve tratar mulheres na menopausa como profissionais frágeis, mas criar condições para que a fase seja compreendida sem constrangimento. “Não estou falando em tratar mulheres de forma diferente ou diminuir sua capacidade. Estou falando de informação, acolhimento e preparação. Se as empresas querem realmente discutir saúde e qualidade de vida, a menopausa também precisa entrar nessa conversa.”

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