Em seu discurso do Dia Internacional das Mulheres, Lula da Silva apontou críticas fortes ao setor das bets, considerando que "Não faz sentido que os jogos do tigrinho entrem nas casas, endividando as famílias pelo celular". Contudo, as palavras do presidente foram alvo de críticas da Associação de Mulheres da Indústria do Gaming (AMIG), que destacou a atuação de "milhares de mulheres [...] na indústria de jogos e apostas no Brasil".
Em um momento em que a liberalização das bets no Brasil continua a dividir opiniões, as declarações da AMIG contrariam a retórica conservadora que debate a legalização dos cassinos. Na opinião da associação, Lula foi infeliz por utilizar uma data comemorativa das mulheres para visar "profissionais que atuam de forma ética e responsável".
Mas as bets não são apenas valorizadas pelas mulheres do setor; na sociedade brasileira, o maior volume de apostas está intrinsecamente associado à geração dos Millennials, responsáveis por mais de 40% das transações de todo o ecossistema.
Face aos resultados do estudo da Visão de Mercado que destaca que 40,35% das bets são feitas por usuários entre os 35 e 49 anos (geração Millennial), podemos concluir que o debate da regulamentação das bets no Brasil tem mais de geracional do que de político. Afinal, existem críticos das bets quer na esquerda (Lula), quer nos meios mais conservadores da direita (Eduardo Girão).
No entanto, o futuro do setor das apostas e cassinos online no Brasil é bastante promissor, especialmente face à grande adesão dos consumidores (em 2025, o Brasil foi o 5.º maior mercado de bets do mundo) e à elevada renda da tributação das casas de apostas, que, segundo o portal Poder360, atingiu os R$ 9,95 bilhões em 2025.
A grande questão não é saber se as bets vão ou não desaparecer, mas sim de que forma podem ser contornados os desafios regulatórios do setor.
A Lei n.º 14/790 introduz uma série de novos desafios regulatórios envolvendo estruturas fundamentais do setor. O seu objetivo é tornar as plataformas de bets mais seguras e diminuir os riscos associados, como o vício do jogo ou a adesão indevida de usuários com menos de 18 anos.
Para além dos processos de verificação, a regulamentação acompanha mercados como os de bônus sem depósito em cassinos e mecanismos de proteção do jogador, tais como a exigência obrigatória de uma nova autenticação após 30 minutos de inatividade. A biometria facial, visando a identificação de menores de idade, também está prevista na regulamentação.
O sucesso da liberalização das bets no Brasil é inegável, mas não é suficiente para convencer os legisladores relativamente ao potencial do setor. A proposta para a liberalização dos cassinos e outros espaços físicos de jogos de sorte foi apresentada no verão de 2025, mas adiada devido à falta de consenso.
Seja na Câmara dos Deputados ou na opinião pública, o tema das apostas esportivas e jogos de cassino promete continuar a dividir o Brasil. Contudo, pelo menos para já, os avanços das empresas do setor têm sido notáveis, contribuindo para a valorização econômica do Brasil.
O mercado de apostas online no Brasil já não pode ser tratado como uma tendência passageira, mas como uma realidade consolidada, impulsionada por novos perfis de consumidores e por uma base significativa de arrecadação tributária. O debate, portanto, ultrapassa a simples polarização política e entra no campo da responsabilidade regulatória, da proteção dos usuários e da sustentabilidade do setor. O desafio futuro será equilibrar crescimento econômico, inovação tecnológica e mecanismos eficazes de controle, garantindo que a expansão das bets ocorra de forma transparente, segura e socialmente responsável.