O trimestre entre fevereiro e março de 2015 registrou o maior recuo na produção industrial no período desde 2006. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a redução foi de 0,8% em todo Brasil. Em Minas Gerais a redução alcançou 2,5%, registrando a segunda retração mais acentuada do país, ficando atrás apenas do Ceará (-3,1%).
Os campeões da redução foram as indústrias de automóveis, metalurgia, máquinas e equipamentos e extração de minérios, ocupando os primeiros lugares no ranking, que é decrescente. Já em um ano, contado no período de março de 2014 até março de 2015, o Brasil registrou o recuo de 3,5%. Em Minas Gerais, a progressão negativa alcançou 9,7%, deixando o estado novamente em segundo lugar entre os estados que mais decrescem na produção industrial.
Para o presidente regional Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Nagib Facury, o recuo é preocupante e Uberaba não difere do quadro Nacional. “O que mais preocupa são os números na aquisição de máquinas para produção, que caíram pela metade. Isso mostra que não há investimento na indústria”, afirmou.
Facury também avalia que a produção é reduzida de acordo com o poder de aquisição da população. “Temos visto nos dados com base no último Dia das Mães, em que as quedas nas vendas do comércio foram impressionantes. A hora que você fala que o comércio não está vendendo, automaticamente a indústria para de produzir. Isso preocupa, porque víamos um número crescente tanto de emprego como de renda, e agora observamos o contrário. Estamos vendo o desemprego acelerando e também a queda do poder aquisitivo do trabalhador”, avalia.
O levantamento registrado de janeiro a março de 2015 marcou um recuo de 5,9%. A projeção de recuo para este ano é de até 9,73% e baixa de 4,70%; a média é de 5,70%. A expectativa para o resultado do levantamento variava entre possível queda de 1,30% e avanço de 1,10% na indústria, sendo a média de -0,60%.