Mestre Bángbàlà, o Ogan mais antigo do Brasil. (Foto/Reprodução/Milana Trindade)
Morreu no domingo (15), aos 106 anos, Luiz Ângelo da Silva, conhecido como Ogan Bángbàlà, considerado o ogan mais antigo em atividade no país e uma das principais referências do Candomblé no Brasil. A informação foi confirmada pela esposa, Maria Moreira-Harrungindala, em publicação nas redes sociais na madrugada desta segunda-feira (16).
Com mais de nove décadas dedicadas à preservação dos ritos e da musicalidade sagrada de matriz africana, Bángbàlà construiu trajetória marcada pela transmissão de saberes religiosos, formação de ogans e confecção de instrumentos litúrgicos, como atabaques, agbês e xequerês. Mesmo após os 100 anos, seguia orientando discípulos e participando de atividades ligadas à tradição.
Nascido em 21 de junho de 1919, no bairro da Muriçoca, em Salvador, teve forte ligação com casas tradicionais de culto afro-baiano desde a infância. Em 1945, mudou-se para Rio de Janeiro a convite de lideranças religiosas para auxiliar em rituais de iniciação e acabou fixando residência definitiva na Baixada Fluminense, onde também exerceu atividades profissionais fora dos terreiros.
Ao longo da vida, atuou em diversas regiões do país ao lado de importantes sacerdotes, tornando-se reconhecido pelo domínio de rituais fúnebres do Candomblé, como o Àsèsè (Axexê), voltados à condução espiritual dos ancestrais. Posteriormente, estabeleceu-se em Belford Roxo, conciliando a vivência religiosa com trabalhos como balconista, frentista e funcionário do Hospital Municipal Salgado Filho, onde se aposentou.
Em 2014, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, na classe de Comendador, concedida pela então presidenta Dilma Rousseff, reconhecimento por sua contribuição à cultura e à espiritualidade afro-brasileira.
Informações sobre as cerimônias de despedida não haviam sido divulgadas até a última atualização.