
Revista britânica afirma que países ricos devem tomar cuidado com a combinação de endividamento e o estrago dos juros altos (Foto/Reprodução/ O Globo)
A revista britânica The Economist publicou análise em que alerta para o risco de uma “brasilização” da economia mundial, destacando que países desenvolvidos devem observar com cautela a combinação de endividamento elevado e juros altos — cenário que, segundo a publicação, já desafia o Brasil.
O diagnóstico aponta que o país enfrenta dificuldades para administrar a dívida pública em um ambiente de taxas elevadas. A taxa básica de juros brasileira, em torno de 15% ao ano, está entre as mais altas das últimas décadas, encarecendo a rolagem da dívida e exige novos empréstimos para cobrir despesas financeiras.
Apesar das críticas, a revista reconhece fatores positivos, como crescimento econômico considerado moderado, expectativa de expansão próxima de 1,8% e a atuação de instituições como o Banco Central do Brasil, que possui autonomia formal. O resultado primário relativamente equilibrado também é citado, ainda que o nível de endividamento seja elevado para padrões de países emergentes.
A publicação avalia que o aumento de gastos promovido pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressiona o cenário fiscal. Caso não haja redução significativa dos juros, a tendência seria de crescimento acelerado da dívida pública nos próximos anos.
Segundo a análise, desafios estruturais — como orçamento rígido, forte peso das aposentadorias e sensibilidade persistente da inflação — aumentam a vulnerabilidade econômica brasileira e exigiriam reformas para evitar deterioração fiscal no longo prazo.
A revista afirma ainda que sinais semelhantes começam a aparecer em economias avançadas. Entre os exemplos citados estão pressões fiscais nos Estados Unidos e debates políticos envolvendo o presidente Donald Trump, além de críticas à atuação do Federal Reserve e de seu dirigente, Jerome Powell.
Na avaliação final, o estudo conclui que, sem ajustes estruturais, o Brasil pode enfrentar escolhas difíceis entre adotar forte austeridade fiscal ou conviver com uma espiral de juros e aumento da dívida — risco que, para a revista, também deve servir de alerta a outras nações.