A morte cerebral foi anunciada ontem. Clodovil tinha 71 anos e estava internado desde segunda após sofrer um AVC
O polêmico Clodovil Hernandes teve uma trajetória de altos e baixos ao longo de toda a sua vida.
Em mais de quarenta anos no meio artístico, passou por várias emissoras de televisão, inclusive pela Rede Globo, onde apresentou o programa TV Mulher.
Em 2006 engajou-se na política, candidatando-se a deputado federal, obteve o 3° maior número de votos, em São Paulo.
Nos últimos anos, o apresentador foi processado por racismo e, já deputado, foi também, acusado de praticar antissemitismo.
No Congresso, em 2007, protagonizou uma discussão com a deputada Cida Diogo. Na ocasião, Clodovil declarou que as mulheres ficaram vulgares, muito ordinárias, cheias de silicone e que trabalham deitadas e descansam em pé. A deputada questionou o colega que retrucou com a frase: "Digamos que uma moça bonita se ofendesse porque ela pode se prostituir. Não é o seu caso. A senhora é uma mulher feia".
Clodovil já havia enfrentado o câncer, descoberto em 2005. Em fevereiro deste ano, discursou na Câmara dos Deputados, lamentou a morte de um colega de trabalho e declarou: “Essas coisas, quando acontecem, as pessoas reclamam muito, ficam muito consternadas e tudo. No entanto, é uma coisa que vai acontecer com todos nós. Todos nós que estamos aqui, um dia iremos para esse mesmo lugar”.
Em entrevista dada a revista Época, em 2006, disse que em sua lápide gostaria de escrever a seguinte frase : “É preferível afrontar o mundo e servir nossa consciência a afrontar nossa consciência para ser agradável ao mundo”
Os médicos anunciaram a morte cerebral de Clodovil Hernandes pouco mais das 16h. Amigos e o Ministério Público autorizaram a doação de órgãos do deputado.
A cirurgia para retirada das córneas, fígado, íris e coração deve durar cerca de cinco horas, somente após o término é que os médicos vão oficializar o falecimento.