Durante o inverno é comum ver a maioria das pessoas tomando todos os cuidados contra gripes e resfriados. Mas esse pode não ser o grande vilão dessa época do ano. Em estudo publicado pelo InCor foi identificado que, em mais de 5 mil vítimas de infarto agudo do miocárdio, a mortalidade era 30% maior nos meses de inverno, ou até 44% maior, se considerados apenas os pacientes com mais de 75 anos de idade.
Segundo o cardiologista Luiz Velloso, os riscos de problemas cardiovasculares aumentam no inverno, pois com a queda da temperatura, diversos hormônios que atuam sobre o sistema circulatório podem apresentar aumento de atividade por exposição do corpo ao frio intenso. “O resultado dessas alterações metabólicas é a contração das artérias, que leva ao aumento da pressão arterial e da frequência e intensidade das contrações cardíacas, sobrecarregando ainda mais o coração e o aparelho circulatório”, explica.
Ele esclarece que o infarto agudo do miocárdio pode se apresentar com manifestações clínicas diferentes do quadro clássico que todos conhecem, como dor intensa na face anterior do tórax e braços, náuseas, suor frio e dificuldade para respirar. Muitos quadros apresentam sintomas distintos e, por este motivo, a atitude mais prudente é que todo paciente com desconforto ou dor no tórax de início súbito e sem causa evidente, seja levado imediatamente ao pronto-socorro e examinado como potencial portador de infarto, até que este diagnóstico seja descartado, com análise de eletrocardiograma e exames laboratoriais.
O cardiologista explica que procurar o pronto-socorro assim que identificar os primeiros sintomas pode ser decisivo para reverter o quadro. “Quanto mais precoce o início do atendimento médico, maior a massa de músculo de seu coração que pode ser salva da necrose. Daí a importância do atendimento o mais rápido possível”, afirma.