SITUAÇÃO INSALUBRE

MPF denuncia dupla por manter trabalhadores em condições análogas à escravidão no Triângulo Mineiro

Vítimas eram atraídas com falsas promessas de emprego para carvoaria em Tapira e chegavam a passar fome durante jornadas de 15 horas

Publicado em 03/02/2026 às 17:59
Compartilhar

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia contra dois homens, sob a acusação de explorar sete trabalhadores em condições degradantes em uma carvoaria na zona rural de Tapira, no Triângulo Mineiro. As vítimas, recrutadas entre o final de 2020 e o início de 2021, foram atraídas com promessas de registro formal e salários dignos, mas acabaram submetidas a jornadas exaustivas e isolamento geográfico. A Justiça Federal pode condenar os acusados ao pagamento de R$ 100 mil em danos morais para cada uma das sete vítimas.

As investigações apontam que o grupo foi recrutado nas cidades de Sete Lagoas, Bocaiuva e São João do Paraíso. Ao chegarem à propriedade, as carteiras de trabalho não foram assinadas e os profissionais passaram a depender de pequenos adiantamentos financeiros esporádicos. Segundo a denúncia, os acusados, sendo eles um administrador da fazenda e um recrutador, mantinham o controle sobre os trabalhadores, que não tinham recursos para retornar às suas cidades de origem.

Alojamentos improvisados e falta de higiene Fiscalização realizada por auditores fiscais do trabalho e pela Polícia Militar constatou que os alojamentos eram precários, com paredes sem reboco e telhados que não vedavam a entrada de poeira ou insetos. A unidade não possuía banheiros com chuveiros ou vasos sanitários, obrigando os trabalhadores a usarem baldes para o banho e a utilizarem áreas de matagal para necessidades fisiológicas.

A água para consumo e higiene era retirada diretamente de um córrego próximo e armazenada sem qualquer tratamento. Além disso, os colchões fornecidos estavam rasgados e em estado de deterioração, impedindo o repouso adequado após o turno de trabalho.

Insegurança e escassez de alimentos Nas frentes de trabalho, a denúncia detalha que não eram fornecidos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para o corte de madeira ou operação dos fornos de carvão. As jornadas chegavam a 15 horas diárias, sem folgas semanais.

Os relatos das vítimas apontam ainda para a insuficiência de alimentos. Houve períodos em que os trabalhadores chegaram a passar fome, alimentando-se apenas de milho verde colhido na região para sobreviver.

Indenização e penalidades O procurador da República Onésio Soares Amaral, autor da denúncia, classificou o caso como um "desprezo a condições mínimas de saúde, segurança, higiene, respeito e alimentação". O MPF solicita a condenação dos envolvidos pelos crimes de redução à condição análoga à de escravo e aliciamento fraudulento.

A denúncia requer ainda que a Justiça Federal estabeleça o pagamento de uma indenização mínima de R$ 100 mil por danos morais para cada uma das sete vítimas identificadas.

Assuntos Relacionados
Compartilhar
Logotipo JM OnlineLogotipo JM Online

Nossos Apps

Redes Sociais

Razão Social

Rio Grande Artes Gráficas Ltda

CNPJ: 17.771.076/0001-83

Logotipo JM Magazine
Logotipo JM Online
Logotipo JM Online
Logotipo JM Rádio
Logotipo Editoria & Gráfica Vitória
JM Online© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por