ABSURDO

Mulher presa por fingir ser criança usava histórias de leucemia e abusos para conquistar vítimas

Investigação aponta que suspeita teria usado histórias de abusos, doenças graves e abandono para conquistar a confiança de vítimas em diferentes estados.

Publicado em 16/06/2026 às 07:58
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 (Foto/Reprodução/PCSC)

(Foto/Reprodução/PCSC)

A mulher presa em Santa Catarina após se passar por uma menina de 12 anos pode ter feito outras vítimas em casos semelhantes no Paraná. Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, foi reconhecida por pessoas que afirmam ter sido enganadas por ela em Colombo e Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.

A repercussão da prisão levou a Polícia Civil do Paraná a retomar investigações que estavam paradas. Em Colombo, havia um boletim de ocorrência registrado por suspeita de estelionato. Já em Campina Grande do Sul, apesar de não ter sido formalizada uma denúncia na época, profissionais da rede de proteção disseram ter identificado Amanda pelas imagens divulgadas após sua prisão.

Segundo relatos, em 2020 ela procurou ajuda em uma igreja evangélica afirmando ter fugido de Fortaleza para escapar de maus-tratos praticados pelo pai. A suposta adolescente dizia que a mãe havia morrido recentemente e apresentava histórias envolvendo abusos físicos e psicológicos. Encaminhada a uma casa de acolhimento, permaneceu no local por cerca de uma semana.

Funcionários da instituição relataram que Amanda justificava a aparência física incompatível com a idade alegando ter recebido aplicações hormonais durante a infância. A situação levantou suspeitas e, após ser levada a um hospital, sua verdadeira identidade teria começado a ser descoberta. Antes da chegada da polícia, ela deixou o local.

Em outro episódio, ocorrido em 2021, uma professora de Colombo afirma ter sido enganada após conhecer Amanda em um grupo virtual de orações. Na ocasião, a suspeita utilizava outro nome e dizia enfrentar uma leucemia em estágio avançado. Segundo a vítima, a mulher participava frequentemente de videochamadas e compartilhava relatos emocionantes sobre abandono e problemas de saúde.

A desconfiança surgiu após inconsistências nas histórias apresentadas e pedidos de ajuda financeira. O grupo decidiu investigar a situação e descobriu que a suposta menina, na verdade, era uma mulher adulta.

A defesa de Amanda informou que solicitou um exame de sanidade mental para avaliar as condições psicológicas da cliente. Presa preventivamente em Santa Catarina, ela deverá passar por perícia ainda neste mês.

No caso mais recente, investigado em Joinville (SC), o Ministério Público denunciou Amanda pelos crimes de estelionato e falsa identidade. Segundo as investigações, ela teria conquistado a confiança de uma família ao longo de mais de um ano, obtendo moradia, alimentação, transporte e outros benefícios materiais.

A polícia também apura a possibilidade de que episódios semelhantes tenham ocorrido em outros estados brasileiros. As autoridades seguem reunindo depoimentos e analisando informações para verificar se há novas vítimas.

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