
Lula eleva o tom em Bogotá e defende soberania diante de um mundo em conflito (Foto/Ricardo Stuckert/PR)
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (21/3), durante fórum na Colômbia, que “não somos mais países colonizados” ao defender a soberania e o multilateralismo dos países da América Latina, do Caribe e da África.
A declaração marcou o tom do discurso no I Fórum de Alto Nível CELAC-África, realizado em Bogotá, em resposta ao avanço de conflitos globais e ao enfraquecimento da cooperação internacional.
“Nós não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa independência”, disse o presidente do Brasil, em meio a outras lideranças na capital Bogotá.
Sem citar países, Lula reagiu ao cenário internacional de tensões e guerras, apontando que o mundo vive uma escalada de conflitos e criticando o aumento de gastos militares.
“Enquanto foram gastos trilhões em armas, ainda temos centenas de milhões de pessoas passando fome”, disse. Para o presidente, esse contexto exige reforço do multilateralismo e maior articulação entre países latinoamericanos, caribenhos e africanos.
Durante a fala, Lula conclamou os líderes a priorizar o combate à fome e à pobreza. “Essa é a guerra que nós temos que fazer”, afirmou, ao defender ações coordenadas para enfrentar desigualdades sociais e ampliar o acesso a direitos básicos.
Encontro com presidente da Colômbia
O discurso foi seguido por um encontro bilateral com Gustavo Petro, que consolidou a aproximação política entre Brasil e Colômbia. Os dois presidentes discutiram o fortalecimento da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), avaliaram o cenário regional e alinharam estratégias de cooperação.
Petro confirmou que fará uma visita oficial ao Brasil nos próximos meses.
Economia e segurança alimentar
Ainda no fórum, Lula apresentou uma agenda conjunta baseada em cinco eixos: combate à fome, mudança do clima, transição energética, inteligência artificial e ampliação do comércio. Segundo ele, os países do Sul Global têm potencial para liderar a produção de alimentos, energia limpa e o uso estratégico de minerais críticos.
“É a chance de não aceitarmos ser apenas exportadores de riqueza”, afirmou, ao defender que os recursos naturais sejam utilizados para impulsionar o desenvolvimento interno.
O presidente também destacou a necessidade de ampliar a participação dessas regiões nas decisões globais e defendeu reformas em organismos internacionais. Ao tratar da crise climática, ressaltou que países em desenvolvimento, embora menos responsáveis historicamente, são os mais afetados por eventos extremos.
Fonte/O Tempo