Por outro lado, cada vez mais mulheres vêm assumindo o espaço dos homens também na criminalidade
Por outro lado, cada vez mais mulheres vêm assumindo o espaço dos homens também na criminalidade. De acordo com a delegada-chefe da Polícia Federal em Uberaba, Karen Cristina Dunder, as mulheres vêm assumindo cada vez mais postos anteriormente típicos de homens. “Antes, víamos somente homens em algumas posições, era o estelionatário ou o traficante, e hoje percebemos a mulher assumindo esse posto na criminalidade. Há mulheres até como chefes de quadrilhas violentas. Aqui em Uberaba, particularmente, tivemos casos de que quando foram presos traficantes, a mulher, irmã ou outra parente acabaram assumindo o lugar para dar continuidade à atividade criminosa”, explica.
Para a delegada, o motivo pelo qual há mais mulheres praticando crimes deve-se a uma questão de evolução social. “Antes, a mulher era restrita à casa e à família, até por uma imposição da sociedade. A partir do momento em que ela começou a trabalhar e a ter mais autonomia e liberdade, infelizmente isso também as fez migrarem para a prática criminosa. Ela começou a participar mais, seja ajudando o marido na atividade, e, quando da prisão dele, até assumindo os “negócios”. Ou desde pequena, por uma tendência ao crime, assumindo posição de chefe de quadrilha. Esta é uma realidade que Uberaba ainda não viu, mas temos conhecimento disso em grandes centros. É o lado negativo da evolução social feminina”, alerta.
Neste sentido, Karen Dunder ressalta que também houve um aumento na participação das mulheres nas corporações policiais e a consequente mudança no perfil da abordagem policial. “Penso que a mulher tem uma forma diferenciada de ver as coisas, ela é mais detalhista. Há características que a mulher policial tem e que o homem não, e vice-versa. A mulher consegue perceber postura, o sentimento que envolve aquela outra pessoa. A presença da mulher no quadro da polícia enriquece, porque elas têm a visão que os homens não têm, assim acabam conseguindo provas às quais, pelo meio tradicional, não se chegaria. Por isso, é importante que elas alcancem postos que antes eram tidos como de homens”, destaca a delegada.