A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) aponta um crescimento de 74% referente ao número de famílias brasileiras com dívidas a vencer. O número alarmante é recorde quando comparado ao ano anterior. Segundo dados da pesquisa divulgada em outubro de 2021 pela Confederação Nacional do Comércio, o aumento foi de 6,8 pontos.
Com a chegada do final de ano, uma parte considerável dos trabalhadores recebe o 13º salário. Muitos destes, inclusive, usam da renda extra para sanar, ou pelo menos tentar, suas pendências financeiras. É importante que haja uma orientação e, sobretudo, um planejamento na hora de negociar suas dívidas, visando uma otimização e melhora de resultados.
O processo de uma negociação tem em sua essência três fases: preparação (antes), execução (durante) e controle (depois). Quando se trata de negociar, é importante frisar que essa negociação é um processo estruturado, onde todas as fases devem ser realizadas com atenção, ainda mais quando se trata de uma dívida financeira.
Os especialistas Alfredo Bravo e Glauco Cavalcanti, professores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialistas em negociação, trazem 7 dicas para facilitar que a população possa negociar suas dívidas.
Primeiramente é necessário ter conhecimento do valor total das dívidas. Uma maneira prática de se fazer isso é através de listagem. Listar as pendências financeiras por ordem de atraso e urgência de pagamento é um bom modo, segundo os especialistas, de se fazer isso. É necessário analisar quais dívidas geram juros mais altos, uma vez que há grandes chances de serem elas a comprometerem a renda mensal.
É preciso fazer um balanço do fôlego financeiro. Saber quanto são os ganhos e quais os principais gastos. Este estudo é fundamental para definir o que deve ser cortado do orçamento com finalidade de saldar suas dívidas.
Outro ponto apontado pelos professores é a estruturação de um planejamento para negociação. Quando se tem conhecimento do tamanho da dívida e seu fôlego financeiro mensal, fica mais fácil negociar com as instituições credoras. Mas antes, reforçam a importância de definir os 7 elementos do planejamento, que sã objeto, objetivos, interesses, alternativas em caso de não acordo, moedas de troca, campo da negociação e argumentos que serão utilizados.
Após a estruturação destes passos, é preciso fazer o contato com os credores. Os professores instruem que o trabalhador solicite propostas para quitação do saldo devedor. Comparar as condições apresentadas pelos credores com todo o planejamento feito é necessário para que haja um avanço no processo negocial por meio da utilização de argumentos baseados em critérios objetivos, como dados e fatos que convençam a outra parte.
Em caso de não conseguir firmar um acordo com os credores, o trabalhador pode buscar alternativas como a portabilidade de crédito, alternativa na qual ele procura por instituições que ofereçam melhores condições de pagamento, fazendo assim, a transferência de sua dívida. A alternativa tem como finalidade pagamento de juros mais baixos, criando assim, um fôlego financeiro enquanto o trabalhador não consegue quitar toda a dívida.
Para além da negociação junto aos credores, os especialistas apontam a negociação das contas de consumo, como as contas de telefone, internet, TV a cabo, anuidade do cartão de crédito e tarifas bancárias, uma alternativa para uma possível redução nos gastos mensais.
Por fim, os professores apontam o corte de gastos desnecessários como um ponto de extrema importância a ser trabalhado, uma vez que, segundo eles, de nada adianta negociar com os credores, reduzir as contas de consumo se os gastos desnecessários são mantidos. É importante que o trabalhador faça uma varredura sobre serviços de internet, uma mensalidade de academia que tem sido paga porém sem uso, compras on-line realizadas por impulso, dentre outros, a fim de estabelecer um consumo mais consciente para então, recobrar o equilíbrio financeiro.