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Nusseibeh apresenta visão de uma ONU que age antes que as crises se agravem

A candidata ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas defendeu a prevenção de conflitos e a mediação precoce como eixos centrais do trabalho da organização

Publicado em 03/11/2026 às 09:16
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 (Foto/Divulgação)

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Lana Nusseibeh, candidata ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas, apresentou um programa que coloca a prevenção de conflitos e a mediação precoce no centro do trabalho da organização, durante um diálogo interativo com os Estados-membros realizado em 27 de outubro.

Sua visão, apresentada por escrito, baseia-se em agir antes que as divergências se transformem em guerras e em buscar medidas viáveis quando acordos abrangentes não forem possíveis, incluindo tréguas locais, trocas de prisioneiros e a garantia de acesso à ajuda humanitária.

A proposta oferece aos Estados-membros uma abordagem que começa pelo que pode ser alcançado de imediato, sem abrir mão de uma solução política mais ampla. Segundo a lógica defendida por ela, um acordo limitado pode aliviar o sofrimento e dar às partes um motivo para continuar negociando.

O diálogo abordou ainda prioridades de desenvolvimento, direitos humanos e a reforma da organização, no âmbito do processo de escolha do sucessor do secretário-geral António Guterres.

Uma candidata que conhece o caminho

A candidatura ocorre num momento em que o mundo enfrenta inúmeros conflitos que afetam duramente a população civil em diversas regiões, e em que a ONU intensifica seus esforços para responder às crises humanitárias urgentes.

Enquanto cerca de dois milhões de pessoas na Faixa de Gaza sofrem as consequências da guerra israelense iniciada em 7 de outubro de 2023, a ONU atua, por meio da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA), na entrega de ajuda humanitária aos civis. Também se destacam os papéis do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), da Organização Mundial da Saúde (OMS), do UNICEF e do Programa Mundial de Alimentos (PMA). Com seus diversos órgãos, agências e instituições, a ONU é a espinha dorsal da ação humanitária em Gaza.

Entre os países que se destacaram no envio maciço de ajuda ao território palestino estão os Emirados Árabes Unidos, o que mais prestou assistência aos civis. Nusseibeh, representante permanente do país na ONU, coordenou e executou as diferentes operações de ajuda e apoio graças às suas relações diplomáticas e à sua capacidade de mobilização.

Ao anunciar oficialmente sua candidatura, Nusseibeh se disse muito otimista quanto ao futuro da organização e ao que ela pode oferecer ao mundo nos planos humanitário, diplomático e político.

Ela foi vice-presidente da Assembleia Geral da ONU e presidente da Junta Executiva da ONU Mulheres, além de copresidente dos processos de revitalização dos trabalhos da Assembleia Geral e de reforma do Conselho de Segurança. Sua atuação abrange, além dos direitos das mulheres, áreas como paz e segurança, ação humanitária, desenvolvimento sustentável e os riscos à segurança ligados às mudanças climáticas.

Por meio de Nusseibeh, os Emirados propuseram na ONU um projeto de resolução central que exigia que todas as partes facilitassem a entrada de ajuda por todas as vias disponíveis — terrestre, aérea e marítima — no território devastado pela guerra, a nomeação de um coordenador de assuntos humanitários e de reconstrução e a criação de um mecanismo da ONU para acelerar e monitorar o registro da ajuda. A resolução foi aprovada com 13 votos a favor, cerca de dois meses após o início da guerra. Especialistas em diplomacia afirmaram na época que Nusseibeh conseguiu construir consenso num momento decisivo, apesar das profundas divisões no Conselho.

Ela também organizou visitas de campo de membros do Conselho de Segurança à Faixa de Gaza pela passagem de Rafah, no Egito, para avaliar a situação humanitária e remover obstáculos à entrada de ajuda. Segundo ela, o objetivo era “aprender o que é necessário para ampliar as operações humanitárias”. A visita deu à resolução impulso político e apoio internacional, reafirmando as habilidades diplomáticas e políticas de caráter prático de Nusseibeh.

Diante do Conselho de Segurança, ela pediu repetidas vezes um cessar-fogo humanitário que permitisse a entrada de ajuda sem obstáculos, exigiu a proteção dos civis e rejeitou o deslocamento forçado. Também insistiu na aplicação do direito internacional sem dois pesos e duas medidas e na preservação do direito dos palestinos à autodeterminação.

Os primeiros apoios

Logo após o anúncio da candidatura, com o respaldo dos Emirados Árabes Unidos, vários países declararam apoio e elogiaram sua capacidade para ocupar o prestigiado cargo internacional.

Marrocos, Jordânia, Líbano, Egito, Cazaquistão, Chipre, Albânia, Uzbequistão, Macedônia, Mauritânia, Montenegro, Geórgia e Palestina manifestaram apoio nas primeiras horas após o anúncio oficial.

Brett McGurk, funcionário americano e ex-coordenador para o Oriente Médio do ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, afirmou: “Os Emirados se tornaram o maior fornecedor mundial de ajuda humanitária em Gaza graças a Lana Nusseibeh, porque ela é uma diplomata que conhece todos e trabalha com todos. Por isso, seria uma escolha inspiradora para essa missão impossível”.

O diplomata búlgaro Nickolay Mladenov elogiou a candidatura e, em declarações publicadas pelo jornal The Guardian, disse que “Lana Nusseibeh sempre entendeu que a ONU funciona quando há alguém que constrói as pontes que ninguém mais quer construir”.

O chanceler cipriota, Constantinos Kombos, anunciou apoio à candidata, a quem atribuiu enorme experiência na ONU. Em declarações reproduzidas pelo jornal Cyprus Mail, afirmou que “Lana é uma diplomata de vasta experiência e grande eficácia, sempre focada na importância do diálogo, do acordo e dos resultados concretos”. Ele ressaltou ainda que a escolha de uma mulher para a Secretaria-Geral da ONU teria enorme importância.

O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo, Jasem Mohamed Albudaiwi, anunciou o apoio conjunto dos cinco Estados-membros — Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã —, além dos Emirados Árabes Unidos, país da candidata. Ele elogiou a experiência diplomática de alto nível de Nusseibeh e destacou sua capacidade de construir consensos e fortalecer o papel da ONU no mundo.

O ex-primeiro-ministro libanês Saad Hariri escreveu na rede social X: “A candidatura da competente diplomata Lana Nusseibeh à Secretaria-Geral da ONU é motivo de orgulho para homens e mulheres árabes”, e conclamou todo o seu país a apoiá-la para alcançar “a conquista”. Na mesma linha, o chanceler egípcio, Badr Abdelatty, declarou: “A candidatura de Lana é motivo de orgulho, dadas as capacidades e a experiência que ela possui”, afirmando que ela reúne as qualificações necessárias para disputar o cargo de secretária-geral das Nações Unidas e expressando o apoio de seu país.

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