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O que causa a crise hídrica no Brasil?

Publicado em 27/06/2021 às 15:37Atualizado em 18/12/2022 às 14:58
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O país passa por uma crise hídrica que afeta toda a população em diversos âmbitos. Nesta sexta-feira (25), o ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou que a crise hídrica é um desafio que levará ao aumento da inflação a curto prazo. Já o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), constata que esta é a pior escassez de chuvas em 91 anos. 

Entre suas consequências, a falta de chuva afeta a geração de energia, oferecendo o risco de apagões. Já no setor do agronegócio, a escassez tem interferido nas lavouras. Minas Gerais registrou uma redução de 10% na produção do milho em relação ao ano passado, por exemplo.

Porém, uma situação que interfere, gravemente, no cotidiano de todo o país ainda traz dúvidas na cabeça da população; o que causa a escassez de chuvas?

Entre as causas, existem diversos fatores. O professor de Climatologia do Departamento de Geografia da UFTM, Leandro de Godoi Pinton, explica que, uma das causas para a escassez são os fenômenos climáticos, que promovem a falta de chuva. Consequentemente, ocorre a redução dos níveis dos principais reservatórios para a produção energética do país, que estão situados na Região Centro-Sul.

“Por exemplo, os reservatórios da Bacia Hidrográfica do Paraná, que é uma das mais importantes regiões para a geração de energia no país. Entre os fenômenos envolvidos na escassez de chuva estão a La Niña, um resfriamento anormal das águas do oceano Pacífico, que modifica a distribuição das chuvas. Aconteceu uma La Niña em 2020 que só encerrou em maio deste ano e ainda há uma possibilidade do desenvolvimento de outro evento La Niña na segunda metade do ano, estendendo a crise hídrica para 2022”, afirma Leandro.

Além da La Ninã, as alterações nos padrões de transporte de umidade para o Centro-Sul do Brasil em razão do desmatamento da Amazônia, afetam também as chuvas. A umidade da Amazônia é transportada para o Centro-Sul do Brasil por meio de “rios voadores”, um corredor de umidade associado ao sistema atmosférico chamado Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Ainda segundo Leandro, dados apontam que o desmatamento da Amazônia altera a fonte de umidade que alimenta esses rios voadores.

Existe também a interferência das mudanças climáticas globais, que têm afetado a dinâmica dos eventos extremos. Um exemplo a ser destacado é o aumento da intensidade e duração das secas e da temperatura no Brasil Central. “Já em relação aos aspectos estruturais que corroboram com a crise, existe a alta dependência das usinas hidrelétricas para a geração de energia no país. Apesar de relativa expansão nos últimos, é necessário um aumento dos investimentos em outras fontes de energia limpa para suprir o constante incremento da demanda energética do Brasil”, explica.

Nem o baixo consumo de energia aliviou a falta de chuvas

Segundo dados da Cemig, o consumo dos Megawatts em 2020 foi 3,6% menor do que em 2019, mesmo com maior uso nas residências causado pelo isolamento social. Segundo Godoi, esta diminuição pode ser explicada pela paralisação das atividades do comércio e da indústria.

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