Fontes com o elemento radioativo desapareceram na mineradora do Sul de MG no dia 29 de junho; polícia e autoridades investigam o caso
Acidente com Césio-137 matou quatro pessoas em Goiânia, em 1987 (Foto/Luiz Novaes/Folhapress)
O Césio-137, presente em duas fontes que foram supostamente furtadas da mineradora AMG Brasil, no Sul de Minas, é um elemento químico radioativo e que representa risco aos seres vivos, devido à alta emissão de radiação. O elemento, inclusive, é o mesmo que causou um acidente com mortes em Goiânia, em 1987, e no país europeu da Sérvia, em 2010.
Todavia, a quantidade da substância presente nos equipamentos da mineradora de MG são de baixo risco, já que as fontes que sumiram são classificadas como não perigosas pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Elas, inclusive, têm atividade cerca de 300 mil vezes menor do que aquela do acidente na capital de Goiás, como afirma a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
O elemento químico é comumente utilizado para realização de exames tomográficos, para terapias de tratamento de câncer e para processos de esterilização na indústria. Na AMG Brasil, as duas fontes seladas de Césio-137 eram utilizadas em equipamentos medidores de densidade de polpa - que analisam, por exemplo, a concentração de minério e de rejeitos.
"Quando utilizadas em medidores de densidade de polpa, as fontes não representam riscos. No entanto, o manuseio inadequado por pessoas não autorizadas pode acarretar algum risco à saúde", informa a mineradora.
As fontes, que desapareceram no dia 29 de junho, sob a suspeita de terem sido furtadas, podem ser identificadas por seu formato e aparência. As fontes possuem formato retangular, com um cilindro acoplado, e são revestidas de aço inoxidável. Além disso, elas possuem blindagem interna de chumbo e uma externa de aço inoxidável, o que torna elas resistentes a impactos.
"A AMG Brasil leva esse incidente muito a sério e lamenta profundamente qualquer preocupação que possa causar às comunidades vizinhas", pontua a mineradora. A orientação, segundo a empresa, é de que diante de qualquer informação sobre os equipamentos, a população faça contato pelo telefone (32) 3322-3053. A mineradora abriu uma investigação interna com o objetivo de esclarecer o ocorrido.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) também apuram sobre o sumiço dos equipamentos. Técnicos que fazem parte da comissão acompanham a investigação desde o dia seguinte ao desaparecimento. Conforme a comissão, apesar da preocupação, as fontes, classificadas de categoria 5, oferecem poucos riscos já que também são confeccionadas em material cerâmico.
"Não são esperados efeitos severos à saúde pelo contato com as mesmas. No entanto, é importante continuar as buscas para recuperá-las de tal forma a prevenir exposições desnecessárias", afirmou o CNEN.
O episódio em Goiânia, capital de Goiás, ocorreu em 1987, e foi considerado o maior acidente radiológico do mundo. Na ocasião, quatro pessoas morreram devido à exposição ao elemento. Centenas de locais precisaram passar por um processo de desinfecção, e uma nova cidade foi criada para alocar os rejeitos.
O acidente ocorreu depois que um aparelho radiológico abandonado do Instituto Goiano de Radiologia foi rompido. Esse equipamento foi vendido a um ferro-velho, o que permitiu o contato com várias pessoas. Na época, 113 mil pessoas foram monitoradas. As autoridades constataram que 120 delas foram contaminadas, sendo 22 dessas com sinais de superexposição.
O acidente ocorreu no Instituto de Pesquisa de Física de Vinca, nos arredores de Belgrado, capital da Sérvia, em 2010. Durante a remoção e o descarte de um acelerador de partículas, uma fonte contendo Césio-137 foi acidentalmente danificada, o que resultou na liberação de material radioativo.
A área ao redor do acidente foi contaminada. Como medida de segurança, foi necessário que as pessoas deixassem a região. Na ocasião, as autoridades tiveram ainda que fazer a descontaminação do espaço para mitigar os riscos à saúde pública.
Fonte: O Tempo