GERAL

Para psicóloga, as mulheres repetem a prática masculina

Na opinião da psicóloga Ilcéa Borba Marquez, a mulher no poder, especialmente na política e no Judiciário, está sendo uma decepção

Thassiana Macedo
Publicado em 08/03/2015 às 15:17Atualizado em 16/12/2022 às 03:36
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Para a psicóloga Ilcéa Sônia Maria Borba Marquez, é inegável que a mulher conquistou um espaço maior na sociedade, tanto é que já elegemos uma mulher presidente e, em todas as outras áreas, é possível verificar a presença da mulher. “Hoje, a mulher não se aceita apenas no ambiente doméstico, cuidando só da família, da casa e dos filhos. Aquelas que estão nesta situação não estão confortáveis e sempre começam a cobrar uma atividade profissional fora do lar. Porém, ainda existe a questão do menor salário, da desvalorização social e acredito que ainda levará certo tempo para que haja a tão esperada igualdade entre homens e mulheres”, pontua.

Na opinião da especialista, a mulher no poder, especialmente na política e no Judiciário, está sendo uma decepção. Ela esperava que a mulher fosse capaz de fazer algo diferente e dar uma contribuição social genuinamente feminina, mas essas mulheres estariam apenas repetindo o comportamento masculino enquanto ocupam o posto de lideranças políticas. “Será que a mulher tem o homem como modelo e o imita, ou ela ainda não conseguiu criar, até para ela mesma, um modelo de mulher levando valores femininos para a esfera política também?”, indaga a psicóloga, dizendo que a mulher conseguiu avançar na busca pela igualdade de gênero, mas ainda há muito o que ser realmente conquistado.

Ilcéa Borba lembra que, recentemente, a revista Veja lançou uma edição especial sobre o aniversário de 450 anos da cidade do Rio de Janeiro, em que trouxe o mesmo número de nomes que, de alguma forma, se destacaram na sociedade brasileira. Apenas cerca de 15% dos destaques eram mulheres, o restante da lista era dominada por homens. No entanto, o que mais chamou a atenção da psicóloga foi o fato de o nome das mulheres aparecer sempre associado às artes, como literatura e música, mas também ao sexo, além daquelas que pelo casamento ou pelo nascimento tiveram algum destaque na sociedade brasileira até os dias de hoje.

De forma geral, na sociedade ou no núcleo familiar, a mulher ainda se coloca submissa ao homem em diversas situações. Seja pelo fato de, mesmo tendo uma carreira, largar o trabalho para cuidar da família e dos filhos; quando decide não aceitar uma promoção profissional em outra cidade para evitar retirar o marido de seu posto de trabalho, mesmo que menos favorável, em detrimento de um salário mais alto; ou, quando aceita, se sente culpada pela decisão. “A mulher ainda não tem uma imagem internalizada de si mesma, de valor, de força e de capacidade. Ela ainda procura se escorar no homem forte, mesmo que ele seja violento e que a maltrate”, completa a psicóloga Ilcéa Borba.

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