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"Parece que a comunidade LGBTQIAP+ tem que se provar o tempo todo", desabafa membro de coletivo

Rafaella Massa
Publicado em 26/10/2021 às 19:01Atualizado em 19/12/2022 às 01:28
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Apesar das lutas da comunidade LGBTQIAP+ estarem ganhando espaço na sociedade uberabense, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Segundo uma pesquisa do Boston Consulting Group (BCG), 77% dos brasileiros LGBTQIA+ já foram discriminados no trabalho e só 11% acham positivo revelar a sexualidade na empresa. Em Uberaba, o coletivo Beth Pantera se movimenta em prol da luta para que o direito básico de aceitação de qualquer indivíduo seja respeitado.

Membros do coletivo analisam que é um assunto complexo, afinal, se assumir não é um sinônimo de aceitação genuína daquela pessoa, inclusive de sua personalidade. Gabriel Afonso, membro do coletivo, conta que conhece pessoas que dentro do trabalho se portam de uma maneira completamente diferente para que sejam respeitadas.

“Será que o gay pode ser no trabalho o que ele é dentro de casa? Eu sei que hoje em dia alguns meios de comunicação aceitam mais, eventos já estão acostumados. Agora, em uma repartição pública e num trabalho mais administrativo? É muito raro a gente ver essas pessoas. Eu digo por amigos, eu vejo posturas que as pessoas são uma durante o serviço, mas elas têm que se portar de uma maneira de segunda a sexta e no sábado e domingo elas se libertam”, analisa Gabriel.

Esse “disfarce”, entre outros motivos, explica porque apenas 11% dos brasileiros LGBTQIA+ acreditam que revelar a própria sexualidade no trabalho é algo positivo, enquanto 29% acham que isso pode prejudicar suas carreiras, segundo o BCG.

Por exemplo, Thais Villa explica que, bissexual casada com uma mulher e como professora do ensino infantil, precisou de acompanhamento psicológico para conseguir trabalhar se contaria ou não aos alunos sobre sua vida pessoal, quando as perguntas ocorressem. “A gente se coloca numa situação de pensar assim ‘Nossa, vou mentir para as crianças’ e dizer ‘Não, não tenho’, ou dizer ‘Isso é uma parte da minha vida particular e não vou falar com vocês’, sendo que na nossa profissão, na educação infantil, a gente tem que falar com as crianças sobre a vida delas em casa, com que elas vivem, como que eu não vou me colocar de igual para igual com elas nessa sinceridade”, explica.

Thais ainda reforça que o mundo ideal seria um mundo onde ninguém tem que sair falando com quem se deita ou de quem se gosta. “Porque, afinal, isso profissionalmente não interfere na vida das pessoas. Porém, não é realidade. A realidade é que se você não fala, há especulações. E mesmo se você for hetero e vier todo dia ao seu trabalho e nunca você mencionar um namorado, as pessoas começam a fazer especulações da nossa vida. E isso, sim, pode ficar rolando só nos bastidores, mas pode chegar a incomodar chefias e etc.”, conta.

Pessoas trans, não-binárias e mulheres

A pesquisa também evidencia os desafios profissionais de outros grupos minoritários: 74% das pessoas trans e não-binárias relataram casos de discriminação no ambiente de trabalho, contra 57% das mulheres LGBTQIA+. Elas, por sua vez, relataram uma incidência 13% maior de assédio sexual em relação aos colegas que se identificam como homens.

Ainda, a Drag Queen Mellanye Divine conta que é preciso analisar quais são as oportunidades que essas mulheres trans tiveram desde o ensino básico, para compreender quais oportunidades elas têm, levando em consideração que 90% da população transexual e travesti do Brasil apelam para o mercado do sexo.

“Dentro do bojo social existe um preconceito que faz com que os nossos corpos sejam vilipendiados dia após dia. Uma mulher trans não termina a escolaridade, sai de cada cedo e encontra no mercado de trabalho o mercado do sexo. Uma vez que cada ano de estudo corresponde a 9% do seu salário, de aumento no seu salário, como é pra uma pessoa sem escolarização, uma pessoa que está à margem da sociedade, compor o mercado de trabalho?” Mellanye.

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