
Capitólio é o principal destino turístico da região da represa de Furnas (Fot CBMG/Divulgação)
Os passeios turísticos nos cânions de Capitólio, no Sul de Minas, devem ser retomados ainda neste mês. É o que informou Lucas Arantes, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, em entrevista à reportagem de O TEMPO. Investigação da Polícia Civil concluiu que queda de rocha foi "evento natural". Especialista afirma que estudos prévios poderiam ter impedido a tragédia que matou 10 pessoas e deixou 27 feridos.
Desde que a tragédia aconteceu, o passeio nos cânions estão suspensos. A previsão é que a retomada aconteça no decorrer de março, conforme disse Arantes. "Os geólogos já vieram aqui, fizeram estudos, o Ministério Público também veio para estabelecer plano de visitação de forma mais segura. Dentro deste mês devemos fazer a reabertura gradual, com menos lanchas e seguindo as recomendações feita pela própria Polícia Civil", contou.
Mesmo após a tragédia, o turismo continuou acontecendo em outros pontos da região. "As atividades nunca pararam. As lanchas só não vão até os cânions. Os passeios acontecem na represa de Furnas, nas cachoeiras", diz Arantes. O movimento na região está aumentando e os comerciantes entusiasmados com o fim do período chuvoso.
Investigação
A Polícia Civil informou que a queda da rocha do Lago de Furnas foi um "evento natural". A pedra, de aproximadamente 900 toneladas, cedeu no dia 8 de janeiro. Todas as vítimas fatais pertenciam a uma mesma família. Eles estavam em uma única embarcação batizada como "Jesus".
Segundo a corporação, não foi verificada nenhuma ação humana específica que tenha provocado a queda da rocha. Por isso, não foram identificados responsáveis ou culpados pelo desabamento; ninguém foi indiciado.
Análise: tragédia evitável
A professora Maria Parisi, do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), destaca que, apesar de não haver culpado pela tragédia, o pior poderia ter sido evitado. "O que aconteceu é fenômeno natural, mas se tivesse um monitoramento das paredes rochosas, dava para ter sido evitado".
A conclusão da estudiosa se dá, pois o levantamento indicaria o local máximo no qual as embarcações poderiam chegar.
"Os estudos prévios dos maciços rochosos poderiam indicar os pontos predispostos a cair. No Brasil não tem lei que obriga isso acontecer. Agora, o estudo está sendo feito, em Capitólio, por uma equipe da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Falta análise de risco nos parques do país", diz.