O caso gerou comoção nacional e internacional, e motivou investigação de maus-tratos a animais após quatro adolescentes supostamente ferirem gravemente o cachorro comunitário, em Florianópolis (SC)

O cão comunitário Orelha foi brutalmente agredido em 15 de janeiro de 2026 na Praia Brava, em Florianópolis (SC), e não resistiu aos ferimentos. (Foto/Reprodução)
A Polícia Civil de Santa Catarina está organizando um esquema especial de segurança no aeroporto para receber dois dos adolescentes investigados pela morte do cão comunitário conhecido como “Orelha”, enquanto estes retornam aos Estados Unidos após uma viagem programada antes do crime.
A informação foi confirmada nesta terça‑feira (27) pelo delegado‑geral da corporação, Ulisses Gabriel, que afirmou haver preocupação com a segurança no momento da chegada dos jovens devido à possibilidade de manifestações convocadas nas imediações do terminal aéreo.
Segundo a Polícia Civil, a operação de recepção deve contar com apoio da Polícia Militar e da segurança do próprio aeroporto, embora a data exata e o terminal onde os suspeitos pousarão não tenham sido divulgados.
As autoridades justificam a medida por temer que eventuais protestos acabem colocando em risco não apenas os dois adolescentes, mas também os cerca de 113 outros jovens que viajam com eles na excursão, sem qualquer relação com o episódio do cachorro.
Entenda o caso
O caso ganhou repercussão nacional após Orelha, um cão comunitário de cerca de 10 anos que vivia na Praia Brava, em Florianópolis (SC), ter sido encontrado gravemente ferido. Levado a um hospital veterinário, o animal não resistiu aos ferimentos e foi submetido à eutanásia.
Na investigação da Polícia Civil, quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de maus‑tratos ao animal, e três adultos — pais e um tio dos jovens — foram indiciados por coação de testemunhas durante o andamento das apurações.
Segundo informações policiais, os dois menores que estavam no Brasil foram alvo direto de uma operação com mandados de busca e apreensão. Os outros dois estão nos Estados Unidos em uma viagem que já estava planejada antes das agressões, devendo retornar ao país na próxima semana.
A investigação corre em sigilo, em cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Caso seja comprovado o envolvimento dos menores nos atos infracionais investigados, eles poderão responder por medidas socioeducativas previstas na legislação.
O episódio também gerou intensos debates públicos sobre maus‑tratos a animais, responsabilização de adolescentes e a aplicação de sanções. Além disso, manifestações em apoio a “justiça para Orelha” — tanto nas ruas quanto nas redes sociais — reforçam a visibilidade do caso.