FIM DAS BETS

Perdeu dinheiro e apostou de novo para recuperar? Esse pode ser um sinal de alerta

Comportamento compulsivo costuma envolver perda de controle e impacto na rotina e nas finanças

Débora Meira
Publicado em 04/10/2026 às 21:38
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Apostar eventualmente não significa, por si só, que uma pessoa tenha desenvolvido dependência. O alerta aparece quando o comportamento começa a interferir na rotina, nas relações, nas finanças ou no bem-estar emocional. Em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, o psicólogo Sérgio Marçal, da Coordenação de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, explicou quais sinais podem indicar que o hábito deixou de ser apenas uma forma de entretenimento. 

Segundo o especialista, uma das principais características do comportamento compulsivo é a dificuldade de interromper as apostas mesmo quando a pessoa já percebe consequências negativas. 

Entre os sinais estão mudanças no humor e no comportamento, irritabilidade, isolamento e alterações na rotina. A atenção deve ser maior quando essas mudanças representam uma diferença significativa em relação ao comportamento habitual da pessoa. 

Um dos mecanismos que podem alimentar o comportamento compulsivo é a tentativa de recuperar, por meio de novas apostas, o dinheiro perdido anteriormente. Segundo Sérgio, essa lógica pode levar a pessoa a continuar apostando mesmo diante de prejuízos. “Ele gera aquele raciocínio na pessoa de querer recuperar o que perdeu. Então a tendência à compulsão é muito maior”, explica.  

Com isso, o jogador pode aumentar a frequência ou o valor das apostas em uma tentativa de recuperar o dinheiro. O problema passa, então, a envolver não apenas o resultado financeiro, mas a dificuldade de controlar o próprio comportamento. 

Para o psicólogo, não é necessário esperar que a pessoa acumule grandes dívidas ou comprometa o patrimônio para procurar atendimento. A ajuda pode ser buscada quando o próprio jogador ou familiares percebem mudanças persistentes. 

O Ministério da Saúde relaciona o transtorno do jogo a sinais e consequências como perda de controle, ansiedade, depressão, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento e prejuízos nas relações pessoais e profissionais. 

A presença de um ou mais desses sinais, porém, não significa necessariamente que a pessoa tenha um diagnóstico. A avaliação deve ser realizada por profissionais de saúde. 

Outro ponto destacado por Sérgio é a facilidade de acesso às plataformas. Como as apostas podem ser feitas pelo celular, o comportamento pode se repetir em diferentes momentos do dia e interferir em outras atividades. “Imagine você recebendo notificação na sua área de trabalho a todo tempo. Joga, joga, joga. Isso é infernal”, afirma.  

A exposição constante às plataformas pode reforçar a ideia de que uma nova aposta será capaz de recuperar o prejuízo anterior, mantendo o ciclo de apostas. 

A ocultação do comportamento também pode ser um sinal de alerta, especialmente quando a pessoa passa a esconder apostas, perdas ou o uso de dinheiro destinado a outras despesas. Empréstimos e uso de crédito para continuar apostando ou cobrir prejuízos também indicam que o comportamento já pode estar causando impactos além do entretenimento. 

Em Uberaba, pessoas que percebem perda de controle sobre as apostas podem procurar a rede pública de saúde. O CAPS AD oferece atendimento especializado, conforme avaliação da equipe, e a orientação também pode ser buscada inicialmente em uma Unidade Básica de Saúde.

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