Durante reunião nesta manhã (23), a classe afirmou que se não for ouvida pela PMU, acionará o Ministério Público
Fotos/Letícia Morais
Taxistas permissionários de Uberaba se reuniram na manhã desta quarta-feira (23) para decidir quais serão os rumos tomados no intuito de impedir que em sua próxima licitação, a Prefeitura Municipal de Uberaba (PMU) realize sorteio de placas sociais, que são as permissões de até dez anos.
O presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários de Uberaba, Orlando Urbano, não apoia a destinação de dez permissões aos motoristas auxiliares. “Não sei o que eles querem e o que realmente será esta placa social porque não fomos informados de nada, não nos chamaram para reunião”, reclama o taxista.
A reunião contou com a participação os sindicalistas e também do vereador Cléber Ramos, Cléber Cabeludo, (Pros) que sinalizou apoio à classe. “O compromisso que fiz é de caminhar com a categoria e não com o prefeito. Vou conversar com os vereadores e frisar a importância de ajudar quem está no comércio de táxi há muitos anos. Mas já deixo registrado que, se a discussão entrar em pauta na Câmara Municipal de Uberaba, o meu voto será ‘não’ para as placas sociais”, afirmou o vereador. Os vereadores Marcelo Machado Borges (Borjão) e Samuel Pereira não puderam estar presentes, mas mandaram representantes e se posicionaram a favor dos taxistas permissionários.
O presidente confirmou estar tentando agendar reunião entre a PMU e todos os permissionários, mas até o momento não conseguiu contato. “Caso a Prefeitura não nos receba, iremos acionar o Ministério Público para que outras medidas sejam tomadas”, pontuou.
Categoria acredita que medida não será eficaz
Os sindicalistas apontaram envolvimentos em condutas ilícitas envolvendo alguns membros da Associação dos Motoristas Auxiliares e Arrendatários de Táxi de Uberaba, o que motiva a categoria no sentido contrário à liberação de placas para eles. Entre as acusações figuram direção perigosa, dirigir sob efeito de álcool e ameaça com arma de fogo.
O taxista sindicalizado, Ernando Alves Pereira, lembrou que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cada 1.400 habitantes é liberada uma permissão. “Portanto em Uberaba deveriam ser 210 permissões, sendo que nós temos 213. Ou seja, nós já temos um número a maior”, afirmou.
João Gilberto Rezende trabalha há 30 anos como taxista e revela desapontamento da classe com o prefeito Paulo Piau. “Nós votamos no prefeito na última eleição e acho que, se aprovada, a medida será ‘um tiro no pé’. Se o secretário Wellington Cardoso conseguir esta aprovação, será um trabalho realizado contra ele (Piau). Estamos chegando à época de eleição e ele poderá perder muitos votos, porque a classe é grande”, aconselha.
A categoria afirmou, ainda, que está sendo chamada de ‘empresários’, mas disse que é composta, em maioria, por famílias que possuem permissão há muitos anos. “Na reunião a gente pôde comprovar isso. São pessoas que estão há muito tempo trabalhando na área, são taxistas com mais de 70 anos, que passaram a permissão para os filhos e netos continuarem na profissão”, pontuou o taxista.