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Pesquisa aponta que 59% dos mineiros que não têm veículo querem comprar um

Publicado em 16/11/2021 às 21:43Atualizado em 18/12/2022 às 16:53
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Diante da precariedade do transporte público, evidenciada ainda mais pela pandemia do coronavírus, cada vez mais pessoas querem ter o próprio veículo. É o que apontou a pesquisa do Instituto DATATEMPO realizada em todas as regiões do Minas Gerais sobre mobilidade urbana. De acordo com o levantamento, 56,1% dos mineiros não possuem carro ou moto e, desse total, 59% pretendem comprar um veículo. “O número indica que, nos próximos anos, vamos ter um aumento significativo de automóveis circulando pelas cidades”, resumiu a coordenadora do estudo, Audrey Dias.

Entre os 43,9% dos entrevistados que possuem veículo, a maioria não pretende se desfazer do bem: foram 88,3%. E os dados das entidades que representam o setor também mostram um mercado aquecido. Mesmo com as dificuldades das montadoras para a produção de novos veículos por falta de semicondutores na cadeia industrial, o último balanço da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revelou que as vendas de veículos tiveram uma alta de 4,7% em outubro, com quase 163 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus entregues no período.

No setor de veículos seminovos e usados, os índices são ainda melhores. Só no último mês, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículo Automotores (Fenabrave), foram comercializadas mais de 1,2 milhão de unidades. As empresas já acumulam um crescimento de mais de 30% nas vendas no ano. “A crise global de abastecimento de veículos aqueceu muito esse mercado, tanto que, se compararmos com outubro de 2019, antes da pandemia, a relação era de 3,7 usados para cada 0km vendido. Em outubro de 2021, a proporção cresceu para 4,4 usados a cada novo comercializado”, disse o presidente da entidade, Alarico Assumpção Júnior.

O gerente de vendas da Carbig.com – empresa que atua com a venda de seminovos em BH –, Gilson Lemos, confirmou que o mercado está mais aquecido. “A procura por esses carros com até três anos de uso cresceu assustadoramente, também por conta da escassez de veículos 0 km nas concessionárias. Hoje, estamos quase ao ponto de ter fila de espera”, contou. Lemes lembrou ainda que, diante da demora de até 90 dias para ter um carro novo, muitas vezes o consumidor tem preferido esses modelos. “Além disso, é mais vantajoso financeiramente. A pessoa olhou, gostou, comprou e levou imediatamente”, alegou Lemos.

Busca por primeiro seminovo já é maior

O gerente de vendas da Carbig.com revelou que a concessionária atende cada vez mais pessoas em busca do primeiro veículo. “Hoje, não estamos tendo muita venda com troca, talvez até como impacto da pandemia. O transporte público é ruim, e as pessoas também querem se preservar. Então temos muitos clientes que entram em contato conosco para a compra do primeiro carro”, explicou.

É o caso de Henrique Teles, que comprou um carro pela primeira vez há pouco mais de três meses. Além da comodidade, ele resolveu adquirir um veículo para viajar e sair durante a noite. “Por conta do preço, preferi começar com um seminovo. Nos últimos tempos, aumentou muito a dificuldade para encontrar um aplicativo. Isso também influenciou muito”, argumentou. Para o próximo ano, o gerente da Carbig espera que clientes como o Henrique continuem frequentes. “A demanda aumentou de forma exponencial e eu acredito que 2022 será um período tão bom quanto agora”, disse ele.

Aumento da procura tem influência nos estoques

Já o proprietário da AndréCar, que faz parte do Portal Auto Shopping, André Taborda, disse que o aquecimento do mercado também tem levado a uma redução dos estoques, e muitas concessionárias enfrentam dificuldades para reposição. “A dificuldade de comprar é grande, principalmente das marcas mais comercializadas, que possuem uma saída mais rápida. Às vezes, a pessoa procura um modelo específico e a falta faz com que leve um similar”, comentou Taborda.

Assim como as montadoras, Taborda disse que o mercado de seminovos também sofre com a falta de peças e pontua que esse cenário deve perdurar ainda por pelo menos um ano. “Muitos carros ainda estão com garantia de fábrica e, no caso de algum defeito, entram em uma fila por escassez desses equipamentos. É uma cadeia”, finalizou. 

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