ALERTA À SAÚDE

Pesquisa aponta que 87% dos conteúdos virais sobre saúde são falsos

Levantamento analisou 764 publicações entre 2017 e 2026 e identificou o WhatsApp como principal canal de disseminação de desinformação

Publicado em 20/10/2026 às 08:26
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Quase nove em cada dez conteúdos virais sobre saúde que circularam no Brasil entre março de 2017 e junho de 2026 continham informações falsas. É o que aponta um levantamento da Agência Lupa, divulgado nesta segunda-feira (19), que analisou 764 publicações sobre o tema.

Do total, 667 conteúdos foram classificados como fake news, o equivalente a 87,3%. A pesquisa foi realizada com apoio da Afya, empresa que atua nas áreas de educação e soluções para a prática médica.

Os materiais analisados abordavam assuntos como supostas curas milagrosas, vacinas, tratamentos sem comprovação científica e doenças crônicas. Entre os exemplos identificados estão alegações falsas de que determinados alimentos eliminariam a nicotina dos pulmões e de que vacinas seriam tóxicas ao organismo.

WhatsApp lidera a disseminação

O WhatsApp foi apontado como o principal canal de circulação de conteúdos falsos sobre saúde, citado em 70,5% dos casos analisados. Na sequência aparecem Facebook (25,3%), Instagram (7%), sites em geral (5,8%) e X (3,8%).

Segundo o jornalista e pesquisador da Agência Lupa, Maiquel Rosauro, mensagens recebidas de amigos e familiares podem ser compartilhadas sem que as pessoas percebam que contêm informações falsas.

Temas mudaram ao longo dos anos

O levantamento identificou mudanças nos assuntos mais explorados pela desinformação ao longo do período analisado.

  • 2015 a 2019: predominavam promessas de curas milagrosas, com receitas caseiras e alimentos apresentados como soluções para problemas de saúde.
  • 2020 e 2021: a pandemia de Covid-19 concentrou grande parte dos conteúdos falsos, incluindo alegações sobre medicamentos e vacinas.
  • 2022 a 2024: ganharam destaque publicações com tratamentos, curas e métodos de prevenção sem comprovação científica.
  • 2025 a junho de 2026: doenças crônicas, como diabetes, e problemas cardiovasculares passaram a aparecer com maior frequência.

De acordo com Gustavo Meirelles, vice-presidente médico da Afya, a busca por soluções rápidas, simples e baratas pode deixar pessoas com doenças crônicas mais vulneráveis a promessas enganosas de tratamento.

Inteligência artificial também é usada

A pesquisa chama a atenção para o uso de deepfakes, conteúdos produzidos ou manipulados com inteligência artificial para simular rostos, vozes e ações de pessoas reais.

Um dos exemplos citados é o uso indevido da imagem do médico Drauzio Varella em publicações que disseminam informações falsas ou tentam vender produtos.

Mensagens alarmistas também são utilizadas para atrair a atenção do público. Entre os conteúdos identificados estão alegações falsas que associam vacinas, tratamentos e produtos cotidianos a doenças graves, infertilidade ou morte.

Segundo a pesquisa, 33,82% das fake news sobre saúde identificadas entre 2025 e junho de 2026 utilizaram o medo e uma linguagem alarmista para convencer os leitores.

Como identificar informações falsas?

Para reduzir o risco de compartilhar desinformação, a orientação é verificar a origem das publicações e procurar evidências científicas antes de acreditar ou repassar uma mensagem.

Entre as principais recomendações estão:

  • Desconfiar de promessas de cura rápida ou milagrosa;
  • Conferir quem publicou o conteúdo e buscar a fonte original;
  • Ter cuidado com mensagens que combinam medo e urgência;
  • Verificar se a publicação tenta vender medicamentos, suplementos ou tratamentos;
  • Pesquisar o título e as imagens em mecanismos de busca e sites de checagem;
  • Observar erros gramaticais e informações sem fontes confiáveis.

Os especialistas também reforçam que ninguém deve interromper ou modificar um tratamento médico com base apenas em conteúdos encontrados na internet. Em caso de dúvida, a recomendação é procurar um profissional de saúde de confiança.

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