Preço do petróleo no mercado global segue com forte oscilação sob efeitos da guerra no Oriente Médio
A Petrobras tem margem para ajustar preços no Brasil em até 10% diante dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre a oferta mundial de petróleo e as oscilações na cotação da commodity. A avaliação é de Mário Oliveira Filho, especialista em infraestrutura e energia e ex-CEO de multinacionais europeias de infraestrutura (SUEZ/ENGIE).
Segundo ele, o Brasil importou 3,6 milhões de toneladas de gasolina no ano passado e exportou 2,2 milhões, o que mostra que o país é um importador líquido, especialmente dos Estados Unidos. “O impacto do aumento do petróleo vai diretamente para esta gasolina. A importação é feita pela Petrobras e empresas privadas, que repassam imediatamente aos preços. Por isso é que já há muitos postos aumentando os preços, provavelmente pela razão de serem abastecidos com gasolina importada”, explica o especialista.
Ainda segundo ele, a Petrobras, como importa e exporta gasolina, sente menos o impacto. “Acredito que a empresa fará um ajuste no preço na ordem de até 10% se o petróleo se mantiver na faixa de 90 dólares o barril por mais uma semana. Quanto aos postos, não há como controlar, pois só eles sabem se estão vendendo gasolina fornecida pela Petrobras ou importada. O mercado é livre”, conclui.
Cotação do dia
Após dois dias de forte oscilação, o preço do petróleo começou a sessão de quarta-feira (11) em queda, reverteu a tendência e chegou a subir 5,87%, antes de diminuir, mas ainda assim seguir em alta em relação ao fechamento na terça-feira (10). O barril Brent, referência mundial, começou o dia em queda e chegou a perder 1,72%, cotado a US$ 86,29 (R$ 445,21), à 1h30 (horário de Brasília). Aos poucos, ele passou a subir com a divulgação de novos ataques do Irã a navios-petroleiros e a ameaça de bombardeios a bancos e outros setores econômicos de EUA e Israel.
Em seu ápice, o contrato de maio do petróleo alcançou US$ 92,96 (R$ 479,63), alta de 5,87%, às 6h45. Depois da informação de que Japão e Alemanha aceitaram liberar parte de seu estoque emergencial de petróleo, o preço do barril reduziu o valor, mas permanecia em valorização de 3,92%, a US$ 91,24 (R$ 470,75), às 12h15. Às 14h, o valor subia para US$ 92.
Os altos e baixos desta quarta ocorrem após um dia de forte queda na terça, quando o petróleo chegou a desabar 18% e fechou a sessão com desvalorização de 11,3%, a US$ 87,80, maior perda diária desde março de 2022.
Fonte: O Tempo.