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Pets também sofrem com ansiedade, e sinais nem sempre são fáceis de perceber

Veterinário explica como identificar mudanças de comportamento e quando o quadro exige ajuda especializada

Débora Meira
Publicado em 29/03/2026 às 16:34
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A ansiedade em pets é cada vez mais frequente e, muitas vezes, passa despercebida no dia a dia. Mudanças sutis de comportamento, que podem indicar estresse, ainda são confundidas com atitudes normais ou até interpretadas como demonstrações de afeto. Segundo o médico-veterinário Cláudio Yudi, responsável pelo setor de Animais Silvestres do Hospital Veterinário da Uniube, os sinais iniciais costumam ser discretos.  

O veterinário explica que em cães, podem lamber repetidamente alguma parte do corpo, bocejar fora do contexto de sono e apresentar tremores leves. Já em gatos, o ‘congelamento’ em algumas situações é visto como tranquilidade, quando, na verdade, pode ser uma resposta de medo. 

Entre as principais causas da ansiedade estão mudanças na rotina, ausência dos tutores e falta de estímulos adequados. O problema ganhou força após a pandemia, com alterações bruscas no convívio entre humanos e animais. “Houve aumento expressivo de casos de ansiedade por separação. A mudança de rotina criou instabilidade para os animais”, afirma o especialista. 

A chamada síndrome de ansiedade por separação é uma das formas mais comuns do problema. Os sintomas podem começar antes mesmo da saída do tutor. “Alguns animais apresentam agitação, outros ficam apáticos. Quando ficam sozinhos, podem latir, uivar, destruir objetos e até vomitar ou fazer necessidades fora do lugar”, detalha. Em gatos, também são comuns mudanças de comportamento, como urinar fora da caixa de areia. 

Outro comportamento que merece atenção é a lambedura excessiva. Embora natural, pode indicar ansiedade quando passa a ser repetitiva e causa lesões. “Ela deixa de ser normal quando se torna obsessiva e interfere na rotina do animal. Muitas vezes, é uma forma de aliviar estresse ou frustração”, destaca. 

Além disso, o especialista alerta para o risco do antropomorfismo, quando o tutor atribui emoções humanas ao animal. “Comportamentos de ansiedade acabam sendo interpretados como ‘amor’ ou ‘dependência saudável’, o que dificulta o reconhecimento do problema e pode reforçar a hipervinculação”, explica. 

Para prevenir a ansiedade, a recomendação é manter uma rotina previsível, com horários definidos para alimentação, passeios e descanso. O enriquecimento ambiental também é essencial, com estímulos físicos e mentais. “Brinquedos interativos, atividades e tempo de qualidade ajudam a reduzir o estresse e melhoram o bem-estar”, orienta. 

Em casos mais graves, a orientação é buscar ajuda profissional. “Quando há comportamentos compulsivos, automutilação ou sinais intensos de ansiedade por separação, é necessário acompanhamento com médico-veterinário e adestrador comportamental”, afirma. 

A falta de atenção aos sinais pode comprometer a saúde física e emocional dos animais. Por isso, reconhecer os indícios precocemente e investir em qualidade de vida são passos fundamentais para garantir o bem-estar dos pets. 

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