CASO MASTER

PF investiga distribuição de centenas de cartões de crédito corporativos do Banco Master

Estima-se que mais de quatrocentos cartões tenham sido usados para pagamento de propinas atribuídas a Vorcaro

O Tempo
Publicado em 21/05/2026 às 18:25
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A Polícia Federal, no caso envolvendo o Banco Master, reforçou o time de agentes federais especializados e peritos responsáveis por auditar o uso de cartões de crédito corporativos administrados pela instituição. Os cartões emergiram no curso da investigação dos crimes apurados na operação Compliance Zero.

Foi apreendido vasto material, que ainda demandará análises periciais detalhadas pela força-tarefa da Polícia Federal. Segundo fontes próximas à investigação, centenas de cartões teriam sido distribuídos com autorização de Daniel Vorcaro. Alguns deles teriam sido utilizados, inclusive, para a compra de veículos e bens de alto valor.

Parte desses cartões possuía prazo de validade definido e teto de gastos. Alguns estavam emitidos em nome do próprio Vorcaro; outros não apresentavam qualquer tipo de limitação. O administrador dos cartões, o Banco Master, podia, mediante ordem expressa, suspender a validade ou alterar os limites de gastos.

Estimativas preliminares indicam que os valores movimentados estejam na ordem de bilhões de reais. A força-tarefa busca identificar os beneficiários de cada cartão e os estabelecimentos onde as despesas foram realizadas.

Investigadores avaliam que esse teria sido o método utilizado por Vorcaro para corromper agentes públicos, políticos e integrantes de altas cortes do Judiciário, sem a necessidade de movimentação de dinheiro em espécie.

Os dados são considerados fundamentais, pois, por si só, podem constituir prova robusta da existência de uma ampla rede de corrupção associada ao Banco Master, servindo como evidências consistentes no inquérito.

Também estão sob análise operações de crédito, como a que identificou um empréstimo de R$ 140 milhões destinado à cunhada do presidente da Câmara, Hugo Motta, sem registro de pagamento de parcelas. Motta teria sido visto ao lado do banqueiro, de ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em Londres, em ocasião na qual a conta, supostamente quitada por Vorcaro, teria alcançado R$ 3,6 milhões.

Da análise desse amplo conjunto documental, a expectativa é de que surja o maior elenco de envolvidos em casos de corrupção já identificado na história do país.

O ministro André Mendonça está à frente das investigações e defende celeridade aliada a uma apuração técnica, consistente e irrefutável, com o objetivo de identificar o maior número possível de envolvidos em uma única operação policial. Segundo relatos, o número de investigados já ultrapassaria 400 pessoas, com a possibilidade de novos nomes serem incluídos. A soma dos valores apurados pode atingir cifras bilionárias.

Dezenas de policiais federais atualmente reforçam a operação Compliance Zero e estão integralmente dedicados à apuração, com previsão de conclusão da primeira etapa até o fim de junho. O resultado pode ter impacto direto sobre candidatos a cargos eletivos e pode levar à cassação de dezenas de mandatos.

Advogados especializados em acordos de colaboração premiada têm orientado seus clientes a realizar autodenúncia, com o objetivo de evitar penas privativas de liberdade, multas e outras sanções restritivas, mediante a devolução dos valores obtidos por meio dos cartões corporativos do Banco Master.

A autodenúncia pode resultar em redução de penas quando acompanhada de depósito judicial dos valores sacados, restringindo a punição a medidas alternativas, desde que não sejam comprovados danos ao erário.

Fonte: O Tempo.

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