A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu autorização ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, nesta sexta-feira (4), para ouvir a deputada federal reeleita Carla Zambelli (PL-SP) sobre o episódio em que ela apontou uma arma para um homem negro, no último sábado (29). O caso aconteceu no Jardins, bairro nobre de São Paulo.
No pedido enviado ao STF, a vice-procuradora-geral da República Lindôra Araújo afirma que será feita diligência preliminar "sem prejuízo de outras oitivas decorrentes que se afigurem necessárias”.
"O Ministério Público Federal, a título de diligências preliminares, requer: (...) seja autorizada a oitiva da deputada federal Carla Zambelli Salgado, a ser realizada pela Procuradoria-Geral da República, sem prejuízo de outras oitivas decorrentes que se afigurem necessárias", diz a vice-PGR no documento.
No episódio, que ocorreu no cruzamento das alamedas Lorena e Joaquim Eugênio Lima, a parlamentar sacou uma arma contra um homem negro após, segundo ela, "militantes do Lula" a "cercarem e agredirem" quando saía de um restaurante.
Em vídeo, é possível escutar um homem gritando "é a Zambelli, é a Zambelli", enquanto a parlamentar atravessa uma rua apontando a arma. Então, a deputada entra em um comércio pedindo, aos gritos, que o homem deite no chão.
Em outra gravação, é possível ver um trecho da confusão e quando a deputada e o seu segurança, com uma arma em punho, correm atrás do suposto agressor dela. Um disparo feito pelo funcionário da parlamentar foi ouvido em determinado momento. Ele chegou a ser preso em flagrante, mas foi liberado após pagar fiança.
Viagem aos EUA após polêmicas
Após suspensão de suas redes sociais, como mostrou o portal O TEMPO, Zambelli viajou aos Estados Unidos na quinta-feira (3). Quem confirmou a informação foi a assessoria de imprensa da parlamentar à reportagem. "Estou cumprindo agendas pessoais e aproveitarei a ocasião para estudar meios de assegurar e restaurar a liberdade de expressão no Brasil junto a autoridades americanas", declarou.
Segundo Zambelli, ela não divulgou a viagem aos Estados Unidos "simplesmente porque não tem mais onde publicar". A parlamentar ainda afirma que está "no meio de um movimento de contenção, repressão e ataque à liberdade".
Na terça-feira (1), a parlamentar teve todas as suas contas nas redes sociais removidas. Perfis no Youtube, Facebook, Instagram, Twitter, Telegram, Tiktok e LinkedIn se tornaram inativos, após uma decisão judicial que está sob sigilo. Ela chegou a criar novos perfis para driblar a Justiça, mas as contas também foram suspensas.
Na segunda-feira (31), Zambelli incentivou os atos de fechamento de estradas para contestar os resultados das urnas que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente da República. Ela é uma das maiores aliadas de Jair Bolsonaro (PL) no Congresso Nacional.
Zambelli chegou a parabenizar os caminhoneiros que lideraram os movimentos favoráveis a uma ruptura com intervenção militar. Eles duvidam do resultado que, entre outros, elegeu a própria Carla Zambelli no primeiro turno. Os bloqueios foram cessados na quinta-feira (3), informou a Polícia Rodoviária Federal (PRF).