Recomendações incluem água, alimentos, medicamentos e itens básicos para enfrentar eventos climáticos extremos, falhas no abastecimento e ataques cibernéticos
Governos de países europeus, como Reino Unido, França, Alemanha, Dinamarca e Noruega, estão orientando a população a manter em casa uma reserva de água, alimentos e outros itens essenciais para situações de emergência. A recomendação é que cada família tenha suprimentos suficientes para se manter por até 72 horas sem acesso a serviços básicos, como energia elétrica, abastecimento de água e comunicação.
A iniciativa busca preparar os moradores para possíveis interrupções provocadas por eventos climáticos extremos, problemas nas cadeias de abastecimento, falhas de infraestrutura e ataques cibernéticos. A orientação não significa que uma crise esteja prestes a acontecer, mas pretende reduzir os impactos de situações inesperadas.
Reino Unido lança campanha de preparação
Uma das iniciativas que ganhou destaque foi lançada pelo governo britânico em 22 de outubro. Batizada de “Be Ready” (Esteja preparado, em português), a campanha é coordenada pelo Cabinet Office, departamento responsável pela articulação do governo do Reino Unido.
A ação faz parte de um programa de conscientização pública com duração prevista de três anos e busca aproximar o país de outras nações europeias que já adotam recomendações semelhantes.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou que a proposta é uma medida preventiva, e não uma resposta a uma ameaça imediata. Em entrevista à BBC Radio 5 Live, ele destacou que a população deve evitar compras por pânico e manter apenas o necessário para enfrentar eventuais dificuldades.
Quais riscos motivam a recomendação?
Entre os cenários considerados estão tempestades, enchentes, ondas de calor e outros eventos climáticos extremos que podem comprometer serviços essenciais. Também estão no radar possíveis falhas no transporte e na distribuição de produtos, além de ataques cibernéticos capazes de afetar sistemas de energia, água e comunicação.
O secretário de Defesa britânico, Wes Streeting, também mencionou a possibilidade de ações de terrorismo patrocinadas por governos estrangeiros contra infraestruturas essenciais, citando a Rússia e outras potências consideradas hostis.
Interrupções logísticas provocadas por manifestações e tumultos também são consideradas um risco. O governo britânico, porém, reforçou que a campanha não foi lançada em resposta a uma ameaça específica ou iminente.
O que deve ter em um kit de emergência?
As listas variam entre os países, mas algumas recomendações são comuns. A orientação é organizar os suprimentos de acordo com o número de pessoas da casa e as necessidades de cada integrante.
Entre os principais itens estão:
Famílias com crianças pequenas também devem reservar fraldas e fórmula infantil pronta para consumo. Quem tem animais de estimação precisa incluir ração e água suficientes para o período.
Como organizar a reserva em casa?
A recomendação é montar o kit gradualmente, aproveitando as compras habituais, sem necessidade de adquirir todos os produtos de uma só vez.
Também é importante verificar regularmente a validade dos alimentos e medicamentos, substituir os itens utilizados e armazenar os produtos em locais adequados.
A Cruz Vermelha britânica orienta que cada família adapte a reserva às próprias necessidades, especialmente quando há pessoas que dependem de medicamentos ou de equipamentos específicos.
Campanha provoca aumento nas vendas no Reino Unido
O lançamento da campanha “Be Ready” também teve reflexos no comércio britânico. Nos dias seguintes ao anúncio, supermercados registraram aumento na procura por água engarrafada, pilhas e alimentos enlatados, com relatos de falta pontual de alguns produtos nas prateleiras.
A rede Iceland informou crescimento de 40% nas vendas de enlatados. Na varejista Robert Dyas, a comercialização de rádios aumentou 160% em comparação com a semana anterior. Já na Maplin, as vendas de lanternas quase quadruplicaram, enquanto as de rádios quase dobraram em três dias.
Representantes do setor varejista também apontaram dificuldades de organização e comunicação com o governo antes do lançamento da campanha. O British Retail Consortium, entidade que representa grandes redes de supermercados, considerou sensata a preparação das famílias para situações extremas e afirmou que a população britânica ainda precisa avançar nesse tipo de planejamento.