GERAL

Prejudicado pela pandemia, setor canavieiro quer ajuda do governo

Proposta foi apresentada pela ministra da Agricultura e pede a redução do PIS/Cofins, aumento da Cide e crédito de R$9 bi pelo BNDES para financiar a estocagem

Daniela Brito
Publicado em 04/05/2020 às 18:46Atualizado em 18/12/2022 às 06:04
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Foto/Reprodução 

Mário Campos, presidente da Siamig, disse que o setor espera para ainda esta semana um posicionamento do governo

Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig) aguarda posicionamento do governo federal para minimizar os efeitos negativos sofridos pelo setor em decorrência da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A informação é do presidente da entidade, Mário Campos, que, em entrevista ao programa Pingo do J, da Rádio JM, adiantou que o pacote de ajuda governamental pode ser anunciado já nos próximos dias.

De acordo com ele, toda produção de etanol foi duramente atingida pela pandemia. As usinas que trabalham exclusivamente com o etanol, para atender à demanda de biocombustíveis, são as que mais sentem os impactos, visto que houve queda acentuada de preço devido às medidas de isolamento social. Segundo ele, a venda do litro de etanol, de R$1,32, sequer cobre os custos de produção.

Além disso, a produção de açúcar, que atende à indústria alimentícia, também sofre retração em face da Covid-19. “Todo setor está sofrendo os impactos da pandemia e precisamos dar destinação à safra de cana-de-açúcar, que já foi plantada. Não podemos parar”, diz. Segundo ele, a Siamig aguarda um pacote de ajuda governamental que inclui três demandas principais para atender ao setor. A primeira é a redução temporária do PIS/Cofins sobre o etanol. “Hoje o consumidor paga R$0,24 de PIS/Cofins na bomba”, diz.

Já a segunda demanda visa ao aumento da alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que regula o preço da gasolina, que hoje é de R$0,10. A proposta é que seja majorada para R$0,30 na bomba, para aumentar a competitividade com o etanol. “Toda cadeia de produção de combustível está afetada devido ao choque negativo do petróleo no mercado internacional. O preço da gasolina caiu nas bombas. Queremos que haja competitividade maior com o etanol”, diz. Como tal medida é de longo prazo, o setor também propõe a redução do imposto sobre a importação da gasolina, que é de 15%, atualmente.

Outra demanda está relacionada à abertura de linhas de crédito, através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), da ordem de R$9 bilhões, a partir da emissão de títulos de garantia, para financiamento de estocagem. “Estas são as medidas para reduzir o problema de caixa das usinas”, informa.

O dirigente explica que a proposta se encontra no Ministério da Economia, sendo apresentada pela ministra Tereza Cristina, titular do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que está sensível à situação do setor sucroalcooleiro. “Estamos otimistas para que estas propostas sejam implementadas para solucionar o problema de caixa das empresas”, afirma.

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