Janeiro foi o mês com maior número de casos confirmados de Covid-19 em Minas Gerais. Em Uberaba não seria diferente, tendo o registro de quase 22.400 novos casos somente no primeiro mês do ano, número quase nove vezes superior ao registrado no mesmo período de 2021, que teve 2.511 casos, segundo os boletins epidemiológicos divulgados pela Prefeitura Municipal. Segundo a projeção da Secretaria de Estado de Saúde, o ponto mais acentuado da curva de testes positivos ainda não chegou e é esperado para as próximas duas semanas.
No entanto, a taxa de transmissão da Covid-19 ficou abaixo de 1, segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura de Uberaba ontem (1º). Apesar do bom índice de Rt, que indica sinais de possível controle do avanço da doença, a cidade registrou assustadores 1.429 novos casos em apenas 24h.
Em janeiro, o estado conviveu com a alta média diária de mais de 15 mil casos, impulsionada pela rápida expansão da variante ômicron, que chegou ao Brasil em outubro. O pico em Minas ocorreu no dia 28, com mais de 40,7 mil notificações em apenas 24h. A explosão de casos ainda é reflexo das aglomerações das festas de Natal e ano novo, segundo os especialistas.
O infectologista e professor da Universidade Federal de Minas Gerais Geraldo Cury diz que a expansão de casos ocorre porque muitos infectados não se submetem aos testes: “Como temos muitos vacinados, as pessoas adquirem o vírus, não sentem nada nem fazem exame. Obviamente, não sabem se estão contaminadas e acabam passando o vírus para outros. Os números reais são muito maiores do que os apresentados para nós. A Ômicron apresenta sintomas mais leves que a Delta, mas a enorme quantidade de pessoas infectadas pressiona o sistema de saúde. Em outros países, vimos que ela avançou muito rápido, mas caiu rápido também. Logo, espera-se que o índice de casos diminua com o tempo”.
Para efeito de comparação, Minas iniciou março do ano passado com um total de 883.105 casos confirmados para a COVID-19. Dois meses depois, em 30 de abril, o número de infectados já passava de 1,3 milhão, ou seja, com pouco mais de 476 mil testes positivos. Em janeiro de 2021, quando a expansão da doença já deixava o estado apreensivo, foram 187 mil contaminados.
Geraldo Cury lembra que, mesmo que tenha efeitos mais leves, a variante pode causar mortes naqueles que não se imunizaram da forma correta: “Há um risco muito grande de uma pessoa vacinada espalhar o vírus para outra pessoa sem o ciclo vacinal completo. Logo, essas pessoas poderão ter casos mais graves da Ômicron”. O alerta é importante sobretudo pelos números de vacinação em Uberaba. Apesar do avanço exemplar, ainda há muitos uberabenses que não completaram o esquema vacinal. São cerca de 17 mil pessoas, segundo informou a Secretaria Municipal de Saúde no fim do mês passado.
A velocidade da transmissão da Covid-19 tem perdido força não só em Minas Gerais como também em Uberaba. A cidade começou o ano com Rt de 1,26, passando para 1,91 ainda na primeira semana de janeiro e atingindo 2,25 no dia 10. Depois foi paulatinamente recuando, passando para 1,76, em seguida, 1,22 até chegar ao primeiro índice inferior a 1 nesta semana. O possível sinal de que a circulação da Ômicron chegou ao topo na cidade e ensaia um recuo, entretanto, é visto com cautela por especialistas.
Isso porque a ocupação de leitos praticamente dobrou em Uberaba, passando de 24% no dia 17 de janeiro para 52% no dia 30, na UTI; na enfermaria Covid o cenário ainda é mais preocupante, tendo saltado de 50% para 79% no mesmo intervalo de tempo. A tendência de alta na ocupação de leitos se observa desde o início do ano. No dia 5 de janeiro, a ocupação de leitos de enfermaria era de 9%, enquanto a taxa de ocupação de UTI Covid estava em 6%.
*Com informações do Estado de Minas