COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

Quase 50 países se encontram na Colômbia para tratar de fim do uso de combustíveis fósseis

Guerra no Irã evidenciou necessidade de substituir petróleo por outros tipos de energia

O Tempo
Publicado em 20/04/2026 às 10:39
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Países debatem na Colômbia alternativas ao petróleo (Foto/Petrobras/Divulgação)

Países debatem na Colômbia alternativas ao petróleo (Foto/Petrobras/Divulgação)

Quase 50 países participarão na próxima semana, na Colômbia, da primeira conferência mundial voltada para a saída dos combustíveis fósseis, em um momento em que a guerra no Irã reacende o debate sobre a necessidade de abandonar os maiores poluentes do planeta.

Ministros e diplomatas chegarão à cidade caribenha de Santa Marta, tendo como pano de fundo a escassez de combustível e a disparada dos preços provocadas pelo conflito, especialmente com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos.

Espera-se que as preocupações com a segurança energética influenciem os diálogos de alto nível nos dias 28 e 29 de abril, tanto quanto as prioridades climáticas, segundo analistas.

A conferência foi anunciada há meses, mas ganhou "maior relevância" com a crise, declarou a ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez, cujo país organiza o encontro junto com os Países Baixos.

Prevê-se a participação de grandes nações produtoras de combustíveis fósseis, como Austrália, Canadá e Noruega, além de potências petrolíferas emergentes como Brasil, Angola e México, e mercados emergentes dependentes do carvão, como Turquia e Vietnã.

Somam-se dezenas de outros países, desde pequenos Estados insulares até grandes economias como Alemanha, França e Reino Unido. No entanto, os maiores produtores mundiais de carvão, petróleo e gás — especialmente Estados Unidos, China, Arábia Saudita e Rússia — não participarão.

A Colômbia espera lançar em Santa Marta uma coalizão de nações produtoras e consumidoras de combustíveis fósseis comprometidas em impulsionar sua eliminação progressiva, segundo Vélez.

O encontro surgiu da frustração durante as negociações climáticas das Nações Unidas na última COP30, em Belém, onde ficou evidente que a promessa de uma transição para uma saída global dos combustíveis fósseis, anunciada na COP28, se encontra estagnada.

"Acho que a reunião de Santa Marta chega com muito atraso", declarou à imprensa Maina Talia, ministro do Clima de Tuvalu. A Colômbia — ela própria exportadora de carvão e petróleo — afirmou que os países participantes representam um quinto da produção mundial de combustíveis fósseis e quase um terço do consumo.

O setor tem sido acusado de influenciar as negociações da ONU, e alguns governos e ativistas questionaram a conveniência de envolver países produtores em Santa Marta.

"Quanto maior o grupo de países, mais difusos são os interesses e menores as chances de alcançar um resultado claro", declarou à AFP Bill Hare, fundador do grupo de especialistas Climate Analytics. Vélez afirmou que é "um grande avanço" ter países produtores na mesa discutindo esse "tabu".

"Precisamos iniciar um espaço mais honesto onde possamos debater com mais abertura e colocar todas as cartas na mesa. Ninguém diz que o caminho será fácil. Mas precisamos reunir essas pessoas", declarou em coletiva de imprensa.

Dilema energético

Os combustíveis fósseis são o principal motor das mudanças climáticas causadas pelo ser humano, e cientistas afirmam que o mundo não reduz as emissões com rapidez suficiente para evitar as piores consequências do aquecimento global.

Em escala global, investe-se aproximadamente o dobro em energias limpas do que em combustíveis fósseis, mas as emissões de gases de efeito estufa provenientes do carvão, do petróleo e do gás voltaram a crescer em 2025, atingindo um nível recorde.

Enquanto a crise energética se espalha pela economia global, alguns países aumentaram a geração elétrica à base de carvão para cobrir déficits de abastecimento.

O ministro do Clima de Vanuatu, Ralph Regenvanu, cujo país depende fortemente da importação de energia, declarou à imprensa que a crise é "sem dúvida um chamado para reduzir a dependência de combustíveis fósseis para todos".

Santa Marta é uma primeira etapa para países "que precisam e querem dar passos concretos adiante", disse Beth Walker, do grupo de especialistas independente E3G.

As conclusões do encontro serão incorporadas a um "mapa do caminho" para abandonar os combustíveis fósseis, liderado pelo Brasil como país anfitrião da COP30 no ano passado.

 Fonte: O Tempo

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