O fim da exclusividade da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, abre caminho para a entrada de novos fabricantes no mercado brasileiro e pode impactar os preços dos medicamentos, mas a redução depende da liberação de versões biossimilares pela Anvisa. O farmacêutico Afrânio Nakamura explica que, embora a patente tenha expirado, ainda é necessário cumprir etapas regulatórias antes que alternativas estejam disponíveis ao consumidor.
Segundo ele, ainda não há opções similares no mercado, pois os laboratórios precisam obter autorização da agência reguladora para iniciar a produção. “Ainda não é possível encontrar versões similares ao Ozempic pois depende da liberação da Anvisa para fabricação. Já há vários laboratórios que solicitaram essa autorização”, afirma.
A expectativa é que a entrada de mais fabricantes aumente a concorrência e, consequentemente, possível redução nos preços. No entanto, esse movimento depende do ritmo de análise e aprovação dos pedidos pela Anvisa. “A concorrência entre laboratórios, com a liberação para fabricação, pode gerar queda nos preços”, disse Nakamura.
O especialista destaca ainda que o fim da patente permite que diferentes empresas solicitem registro para produção, mas o impacto no mercado só será percebido com a efetiva oferta dos produtos. “O fim da quebra de patente libera para qualquer fabricante entrar com pedido na Anvisa para fabricar, aumentando a concorrência e reduzindo o preço”, explica.
O farmacêutico também esclarece que a semaglutida se enquadra na categoria de medicamento biológico, o que torna sua replicação mais complexa do que a de fármacos químicos tradicionais. Por isso, os chamados biossimilares passam por um processo rigoroso de avaliação antes de serem aprovados.
De acordo com ele, a segurança e eficácia desses medicamentos são garantidas por testes exigidos pela Anvisa, incluindo comprovação de bioequivalência. “A eficácia e segurança desses medicamentos são totalmente seguras, pois passam por um rigoroso controle da Anvisa. Só depois de comprovada eficácia e bioequivalência são liberados”, destaca.
Nakamura ressalta ainda que o uso desses medicamentos é controlado e exige prescrição médica. Ele alerta para os riscos do uso indiscriminado e reforça a importância da orientação profissional. “O farmacêutico tem o papel de orientar o paciente a procurar um médico. O uso sem acompanhamento pode causar diversos problemas”, disse.
A fiscalização do comércio desses produtos é realizada pela Vigilância Sanitária municipal e pela Anvisa, que acompanha a movimentação por meio de sistemas específicos de controle.
No cenário futuro, Nakamura avalia que, com a ampliação da oferta e eventual redução de custos, há possibilidade de incorporação desses medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para tratamentos já consolidados, como o de diabetes, desde que haja interesse e viabilidade por parte do poder público.