SUBSTÂNCIA TÓXICA

Recibos e comprovantes podem liberar substância tóxica absorvida pela pele, alerta pesquisa

Estudo aponta presença de bisfenol A (BPA) em papéis térmicos e indica que álcool em gel ou mãos úmidas podem aumentar a absorção da substância

Publicado em 21/07/2026 às 14:16
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Recibos, comprovantes de cartão, cupons fiscais e senhas de atendimento podem representar um risco pouco conhecido à saúde. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) identificou a presença de bisfenol A (BPA) em papéis térmicos utilizados no Brasil e alerta que a substância pode ser absorvida pela pele durante o manuseio.

Segundo os pesquisadores, a absorção do BPA pode aumentar em até dez vezes quando as mãos estão úmidas ou com resíduos de álcool em gel ou cremes hidratantes.

A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Produtos e Tecnologia em Processos (LPT), da UFC, sob coordenação do professor Diego Lomonaco, e analisou papéis térmicos usados na impressão de comprovantes bancários, recibos de supermercados, maquininhas de cartão e senhas de atendimento.

O que é o BPA?

O bisfenol A é um composto químico utilizado como revelador de cor em papéis térmicos. Diferentemente da tinta convencional, esses papéis reagem ao calor da impressora para formar as informações impressas.

Segundo o pesquisador, o BPA permanece solto na superfície do papel, facilitando sua transferência para a pele.

"O BPA não está preso quimicamente ao papel. Ele se transfere para a pele por simples contato", explica Diego Lomonaco.

Brasil não possui regulamentação específica

De acordo com o estudo, o Brasil ainda não possui regras específicas para controlar a composição química dos papéis térmicos.

Isso significa que fabricantes e fornecedores não são obrigados a informar se utilizam BPA nem a apresentar certificados sobre a composição do produto.

Pesquisas anteriores também indicam que os papéis térmicos comercializados no país estão entre os que apresentam maiores concentrações de BPA no mundo.

Quais são os riscos?

O BPA é classificado como um disruptor endócrino, ou seja, uma substância capaz de interferir no funcionamento dos hormônios do organismo.

Estudos científicos associam a exposição ao composto a possíveis efeitos como:

  • alterações no sistema imunológico;
  • distúrbios reprodutivos;
  • alterações metabólicas;
  • problemas neurológicos;
  • maior risco de alguns tipos de câncer, como próstata e mama.

Segundo os pesquisadores, trabalhadores que manipulam papéis térmicos diariamente, como bancários e operadores de caixa, costumam apresentar níveis mais elevados da substância no organismo.

"Livre de BPA" nem sempre significa seguro

O estudo também alerta que muitos produtos comercializados como livres de BPA utilizam outros compostos da mesma família, como o bisfenol S (BPS) e o bisfenol F, que também apresentam potencial para causar alterações hormonais.

Além dos papéis térmicos, os bisfenóis podem estar presentes em embalagens plásticas, revestimentos internos de latas de alimentos, recipientes e outros produtos de uso cotidiano.

Os pesquisadores recomendam que empresas que utilizam grandes volumes de papéis térmicos busquem análises laboratoriais para verificar a presença dessas substâncias e garantir maior segurança para trabalhadores e consumidores.

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